segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Ria mais.


Crianças riem dezenas de vezes por dia. Elas enxergam o mundo de uma maneira alegre, divertida e engraçada. Seu sorriso é suave e leve.

Rir faz muito bem, diminui a pressão arterial e alivia as tensões. Como aquele velho ditado "rir é um santo remédio".

Quando damos uma boa risada, uma sensação boa toma conta da gente. O peito se abre, o diafragma se move e há uma liberação de energia. Com certeza rir estimula prana, energia vital, para todo o corpo, pois rir é vibrar energia positiva. E o resultado é que todas as células do corpo agradecem e sorriem também.

Há uma palavra em sânscrito, lila, que quer dizer brincadeira. É assim que devemos ver e levar a vida como uma brincadeira, com leveza e alegria.

Procure algo engraçado na sua vida hoje e ria. Ou melhor ainda, procure algo engraçado sobre você mesmo e ria!!!

Namastê.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Faça o que você ama.

Apple e sua bolinha!

A vida parece que anda mais veloz do que nunca. Tudo tão rápido que passamos o dia cumprindo as nossas tarefas e acabamos não tendo tempo de usufruir de pequenos prazeres.

Pequenos prazeres é fazer as coisas que amamos. São aquelas coisas que fazemos com o maior prazer e que não nos cansamos por fazê-las. É um momento para ouvir uma música que gostamos, de cuidar das plantas, de brincar com o cachorro, de preparar uma sobremesa, enfim, cada um tem os seus pequenos prazeres. Se tem algo que amo fazer é brincar de bola com a minha cadela Apple. Me faz tão bem vê-la se divertindo com a sua bolinha!

Esses momentos são preciosos, únicos, e que nos conectam com o momento presente. É dedicar 15 minutos do seu dia simplesmente porque você ama fazer estas coisas. Fazer o que amamos nos traz energia e promove cura. É o melhor antídoto contra o estresse.

Momentos que você faz o que você ama são verdadeiros momentos meditativos. E o resultado é o equilíbrio, é Yoga.

O que você ama fazer?

Bom final de semana!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Tapas + Ahimsa = Yoga


Yoga não é uma ciência exata, porém, esta simples equação é totalmente coerente. Tapas é um dos primeiros preceitos do Yoga que quer dizer auto esforço e disciplina; e Ahimsa é o cultivo da não violência, é respeitar a si e aos outros. Com estes dois ingredientes, agimos sempre de uma maneira sensata, pois o resultado é sempre o equilíbrio.

O Yoga nos ajuda em vários aspectos da vida. Começamos a tomar consciência disso na prática dos asanas. Sem dúvida só se tem resultado quando praticado com uma certa dedicação, quando levamos a sério o trabalho que estamos fazendo. É fazer a sua prática com empenho e esforço; porém, nunca deixando de respeitar seu corpo, fazer dentro dos seus limites. Assim, eu faço a postura com total consciência, na minha perfeição (a perfeição é totalmente pessoal, cada um tem o seu corpo e cada um está em um momento) mas nunca me agredindo e sim me respeitando. Há uma simples frase que já diz tudo: "não sou eu que tenho que me adaptar ao asana e sim o asana é que deve se adaptar a mim" . O resultado é que eu não machuco o meu corpo e só me beneficío do que o Yoga me oferece: um corpo saudável, forte e flexível. Em resumo um corpo equilibrado.

Esta equação pode ser aplicada para tudo na nossa vida. A começar pela nossa alimentação. Por exemplo, para manter o peso e não ter que se violentar privando-se de tudo que é gostoso de comer, a única possível solução é comer de uma maneira equilibrada. As pessoas gastam e se desgastam atrás de dietas mirabolantes procurando maneiras de manter e perder peso e acabam sempre frustadas pois as propostas são sempre difíceis de serem seguidas por muito tempo. Uma simples frase que meu avó médico já dizia há muito tempo: " Coma de tudo um pouco". Assim voltamos a equação do equilíbrio.

Um outro exemplo é na educação dos nosso filhos. Somos nós, pais, que temos que mostrar aos nossos filhos a importância de estudar e de aprender as coisas, mas que para ter bom resultado é preciso um esforço, prestar atenção, fazer as lições, mas sem se violentar para isso. Tem também que ter aquele momento de lazer, de assistir ao seriado na tv, ficar no Facebook, fazer esporte e principalmente ter bons momentos com os pais. Ou seja, é aplicar sempre o estado de Yoga, buscando o equilíbrio.

Na área do trabalho é onde eu, que sou professora de Yoga, vejo o que se consome de energia e desgaste. Todo mundo se queixa de dor no pescoço, nos ombros, nas costas. A grande maioria das pessoas trabalha de uma maneira exacerbada e nem se dá conta disso, achando que é normal. Mas eu acho que definitivamente não é. E falo isso porque já fui executiva e achava que era normal, até que comecei a praticar Yoga e vi que não é. Muitas vezes até era possível sair mais cedo do trabalho, mas não o fazia pois achava que tinha que cumprir o horário até o final, ainda que no dia anterior tivesse saído 10 horas da noite. Hoje eu vejo que temos que fazer o trabalho da melhor forma, claro, mas sem esse exagero que tenta nos consumir e que muitas vezes é totalmente desnecessário. Um pouco de ahimsa, de respeito consigo mesmo, é uma questão de saúde!

E por aí vai, são exemplos do dia dia que se aplicássemos mais esta simples equação seríamos mais felizes e satisfeitos em todas as áreas da vida.

Bom final de semana!

Namastê!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Utthita Trikonasana. Postura do triângulo estendido.

Trikonasa, é uma das minhas posturas favoritas. O que mais gosto é a permanência nesta posição, sentir os pés firmes na terra em perfeito equilíbrio e deixar a energia do coração se expandir por todo o corpo. É uma sensação gostosa sentir todo o seu corpo se alongar e se abrir, mantendo o olhar para o infinito. Praticá-la ao ar livre, num dia de céu azul, torna-a ainda mais especial. Esta postura alonga e dá mais flexibilidade `a coluna, fortalece tornozelos, alonga parte interna das pernas e promove equilíbrio.

Utthita Trikonasana

Vamos construir esta postura passo a passo, para poder desfrutá-la no seu alinhamento perfeito. Comece em Tadasana, postura da montanha, distribuindo o peso do corpo igualmente nas duas pernas. Mantenha os pés unidos e firmes no chão. Alongue a coluna e respire naturalmente...

Tadasana

Afaste as pernas, a distância entre elas é a medida das suas pernas, mantendo os pés alinhados `a frente. Eleve os braços estendidos na altura dos seus ombros, subindo o peito e olhe para frente...



Mantenha o alinhamento da posição anterior, quadris para frente e braços estendidos. Apenas vire o pé direito 90 graus e o pé esquerdo levemente para dentro. As pernas permanecem ativas, com os quadriceps contraídos e patelas para cima...


Agora, na sua próxima inspiração alongue o seu tronco para o lado direito como se você quisesse pegar algo lá longe...


Ao expirar apoie a mão direita no seu tornozelo direito e expanda o seu corpo, alongando o braço esquerdo para o infinito. Os pés permanecem firmes no chão. Os dois ombros e braços devem estar alinhados. A cabeça deve estar na mesma linha da coluna até o coccix e virada para cima, com o pescoço relaxado. Respire naturalmente. Observe o seu corpo na posição.

Utthita Trikonasana

Se você está bastante confortável mantenha todo o alinhamento e apoie a palma da mão direita no chão. O peso do corpo permanece nos pés. Mantenha a posição por 20-30 segundos. Para retornar, faça o mesmo movimento que te levou `a posição. Inspire elevando o tronco ainda com os braços estendidos na altura dos ombros, e ao expirar desça os braços e vire o pé direito novamente para a frente. Repita a postura para o outro lado e ao final volte para Tadasana.

Utthita Trikonasana

Namastê!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Samadhy.

Golfinhos em Fernando de Noronha

Samadhy é o objetivo final do Yoga. Samadhy é o oitavo e último estágio do Yoga de acordo com os Yoga Sutras de Patanjali.

Quando se está em Samadhy entramos num estado que está fora do tempo e do espaço....as flutuações da mente não existem mais...estamos livres dos pensamentos....momento em que o ego se dissolve...entramos em contato com o coração... com a nossa verdadeira natureza... a essência....e aí surge felicidade, liberdade, paz, Samadhy.

É difícil descrever Samadhy, pois é algo inexplicável, espontâneo e único. Mas de qualquer forma, para ilustrar, me arrisco a contar uma experiência pessoal inesquecível em Fernando de Noronha que para mim foi muito especial.

Fernando de Noronha é um dos lugares mais bonitos do mundo onde a natureza está em permanente Samadhy. Para qualquer lugar que se olhe, só se encontra plenitude. O céu azul límpido, sol intenso, árvores abrigando milhares de espécies de pássaros em seu ninhos, praias desertas deslumbrantes de águas transparentes. Tudo isso sem uma rede de hotéis disputando espaço na orla, o que torna o lugar ainda mais sublime. Diria que Fernando de Noronha é um paraíso na Terra.

O mundo fora da água é deslumbrante, para não falar do misterioso mundo que acontece de baixo da água. É neste cenário que a minha experiência aconteceu.

Logo que cheguei, fiquei deslumbrada com tanta beleza da natureza. A primeira coisa que fiz foi sair para uma caminhada para conhecer as tão bonitas praias. Na primeira praia, não resisti aquele convite que o mar já me fazia. Mar com poucas ondas, água na temperatura ideal o que te permite ficar por um bom tempo sem sentir qualquer desconforto. Nadava apenas observando através da água tranparente o gigantesco cardume de sardinhas que dançavam numa sincronia perfeita refletindo sua cor prateada na luz do sol. Enquanto isso, pássaros eram atraídos por este momento e mergulhavam na água em busca das sardinhas. O único ruído que se ouvia era o das asas dos pássaros e seus mergulhos. Viver isso para mim já foi um êxtase.

Depois deste banho de mar maravilhoso, fui caminhado rumo a praia seguinte. Atravessei por um caminho de pedras e novamente me deparei com uma outra praia deslumbrante e completamente deserta. Fui caminhando pela areia quando vi de longe que alguém caminhava na minha direção. Quando nos aproximamos, vi que era um garoto nativo que vendia água numa caixa de isopor. Que sorte a minha pensei, nada como água fresca num dia de sol e calor numa praia deserta. Logo comecei a bater papo com o garoto que me contou que nunca havia saído da ilha. Imagina que vida privilegiada poder viver numa ilha paradisíaca, comendo peixes frescos todos os dias, sem trânsito, sem violência, totalmente integrado com a natureza. Diria que é para poucos!

Naquele momento olhando para o horizonte vejo centenas de golfinhos passando bem longe, quase em alto mar. Todos os dias bem cedo pela manhã os golfinhos passam pela orla e se abrigam numa baia numa ponta da ilha durante o dia. Este lugar é mais protegido de ataque de tubarões e assim os golfinhos filhotes e suas mamães podem ficar seguros e tranquilos durante o dia. Ao entardecer, eles retornam e foi neste momento que os vi passarem. Encantada com aquela cena, o garoto me perguntou: gostaria de ir nadando até os golfinhos? respondi que sim, apesar de não ter muita familiaridade com o mar, pois tenho medo de nadar em alto mar e pavor de tubarões. Ele disse: não tenha medo! se você quiser te levo até eles. Naquele momento a sensação do medo e do desconhecido sumiram e uma força maior me conduziu em direção ao mar. Coloquei nadadeira nos pés, esnorquil e lá fomos nós. O garoto e eu segurávamos a mesma boia salva vidas rumo ao alto mar. Comecei a ouvir um ruído de baixo da água, era o sonar dos golfinhos. Quanto mais para o fundo íamos mais o ruído aumentava. De repente, centenas de golfinhos começaram a aparecer e passar por nós. A água era tão transparente que a visibilidade era total. Eles passavam por nós e apenas olhavam curiosos. Surprendentemente alguns golfinhos começaram a se aproximar com seu filhotes. Parecia que queriam mostrar os filhotes. Neste momento eu ria, chorava de tanta emoção. Foram momentos realmente indescritíveis de total pureza e integração com a natureza. Para mim foi uma experiência de Samadhy. Foi uma tarde que jamais esquecerei.


Praia do Sancho, Fernando de Noronha (por Sylvia Freire)

Uma das praias mais bonitas que conheci!


Morro Dois Irmãos, Fernando de Noronha (por Sylvia Freire)

Cartão postal da ilha.


Namastê.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Sequência revigorante.

Esta é uma sequência revigorante, simples, fácil de memorizar que alonga e fortalece a coluna, pernas, ombros e braços, com uma atenção maior para a torção. Promove a abertura do peito estimulando a energia do coração. Estimula e massageia também os orgãos abdominais, melhorando a digestão e a eliminação. Desenvolve o equilíbrio. Vamos lá!

Balasana

Inicia-se em Balasana, postura da criança. Nesta posição procure estender os braços para frente naturalmente alongando as laterais do corpo. Apoie as mãos bem espalmadas firmes no chão. A distância entre mãos é a mesma dos ombros. Apoie os glúteos nos calcanhares, relaxaxando a cabeça e a musculatura do rosto. Deixe a respiração fluir no ritmo natural. Observe o corpo na posição.

Biladasana

Eleve os quadris e entre na postura do gato, Biladasana. Nesta posição alinhe-se mantendo a distância entre os joelhos a mesma do quadril, e a distância das mãos a mesma dos ombros. Mantenha uma linha reta entre quadril e joelhos, ombros e punhos. Olhe para baixo mantendo a coluna paralela ao chão.

Biladasana

Movimente a coluna para baixo, abrindo o peito e subindo a cabeça na inspiração...

Biladasana

Movimente a coluna para cima, contraindo o abdomem, soltando a cabeça ao expirar.
Faça este movimento quatro vezes sincronizando o movimento com a respiração.

Biladasana

Quando terminar os movimentos volte a posição inicial, checando o seu alinhamento novamente. Agora traga a perna direita a frente apoiando o pé entre as mãos...


Mantenha a mão esquerda e o pé direito firmes no chão. Na próxima inspiração eleve o braço direito e alongue-o em direção ao infinito. A cabeça acompanha o movimento. Procure abrir o peito. Permaneça estável na posição.

Parivrtta Parsvakonasana

Mantenha o alinhamento da postura anterior, apenas estendendo a perna esquerda. Permaneça em Parivrtta Parsvakonasana por alguns instantes. Faça algumas respirações profundas e conscientes observando o corpo na posição.

Corredor

Volte o braço apoiando novamente as mãos no chão. Mantenha o olhar para frente na postura do corredor. Faça algumas respirações mantendo a posição.

Adho Mukha Svanasana

Leve a perna direita alongada para trás e transmute para Adho Mukha Svanasana. Nesta posição alongue todo o seu corpo. Apoie firmemente os pés e mãos no chão. Estenda as pernas e braços. Procure colocar os ísquios para cima, contraia o abdomem e alinhe a cabeça no prolongamento natural da coluna (orelha na linha dos braços). Permaneça na posição por algumas respirações, observando o corpo na posição.

Balasana

Retorne a postura da criança, Balasana. Relaxe o corpo e pratique a auto-observação. Recomece a sequência para o outro lado. Boa prática!

Namastê.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Celebração da Primavera. Meditação na flor de Lótus.

Padma mudrá

Primavera é a estação do ano em que a natureza se renova. É o momento mais feminino, onde shakti desperta e floresce e a natureza parece que expressa Samadhy.

Para celebrar este momento, descrevo uma prática meditativa cujo foco da atenção é a flor de lótus no coração. A flor de lótus representa pureza, renovação, liberdade e paz. Uma meditação muito simples que tenho praticado e que tem me feito muito bem.

Inicie, sentando-se em uma posição totalmente estável e confortável. Como aquietar a mente se há algo no corpo que nos incomoda? É fundamental encontrar a posição correta. Por isso, ajustes são bem vindos. Você pode sentar-se no chão com as pernas cruzadas em Padmasana, postura de lótus. Para maior conforto, sente-se sobre uma almofada, ou com as costas apoiadas na parede, ou mesmo em uma cadeira. O importante é manter o corpo relaxado e a coluna ereta. As mãos podem estar apoiadas sobre os joelhos, com as palmas votadas para cima e dedos indicador e polegar unidos em Jñána mudrá. Outra posição, é apoiar as mãos sobre o colo com o dorso da mão esquerda sobre a palma da mão direita e polegares unidos em Bhaivara mudrá.

Acrescente-se a esta posição dois detalhes: relaxamento das mandíbulas e da língua. A língua deve flutuar na boca com a ponta levemente voltada para cima não encostando no palato. Segundo Christopher Tompkins, estudioso de textos tântricos, o relaxamento das mandíbulas e a posição da língua são descritos em textos como a "Posição Divina".Tenho utilizado esta técnica e percebo que esta descontração nos conduz naturalmente ao aquietamento.

Feche os olhos e observe o seu corpo nesta posição. Observe também a sua respiração, o ar que entra e que sai, no seu ritmo natural.

Agora coloque a sua atenção num ponto no centro do seu peito na altura do seu coração. Este lugar chama-se Hridaya, seu coração espiritual. É um ponto de energia que não ocupa tempo ou espaço, é a sede da consciência.

Agora vizualize uma flor de lótus neste lugar. Concentre-se na flor de lótus que se abre no peito na inspiração e se fecha na expiração. A flor de lótus pulsa no mesmo ritmo da respiração. A respiração pulsa no mesmo ritmo da natureza. A natureza pulsa no mesmo ritmo da vibração do Universo, que pulsa no seu coração. Perceba que um círculo se fecha e que tudo pulsa no mesmo ritmo, você, a natureza e o universo. Tudo integrado. Isto é Yoga.

Mantenha a sua flor de lótus pulsando em Hrydaia por alguns minutos.

Finalize a sua prática transformando as suas mãos em uma flor de lótus em Padma mudrá, resgatando e fortalecendo a sua energia do coração em pureza, renovação, liberdade e paz.

Viva a Primavera!

Namastê.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dhyana. Meditação

Imagem Catherine Ferraz

Dhyana, meditação, é o sétimo dos oito estágios do Yoga preconizados por Patanjali nos seus Yoga Sutras.

Patanjali define Yoga no seu primeiro sutra quando afirma "Yogás citta vrtti nirodhah", Yoga é a paralização das flutuações da mente. Ou seja, Yoga é meditação.

Para meditar é essencial aquietar a mente. Meditar é entrar num estado de tranquilidade, de calma absoluta. É entrar em contato com a sua verdadeira natureza, que na sua essência, é a consciência, que é alegria e paz.

O grande obstáculo para acessar a consciência é o nosso ego. A meditação só acontece quando o ego é neutralizado. O ego é constantemente alimentado pelo fluxo incessante de pensamentos e emoções que nos remete sempre ao passado ou ao futuro e nos distancia do nosso verdadeiro eu, do atmã, a essência divina.

Estou lendo o livro " Um novo mundo. O despertar de uma nova consciência." do Eckart Tolle e destaco alguns trechos em que ele aborda com muita clareza o comportamento do ego: "Quando vivemos por meio do eu construído pela mente, que se constitui de pensamentos e emoções do ego, a base da nossa identidade é precária porque os pensamentos e as emoções são, por sua própria natureza, efêmeras, instáveis." um pouco mais a frente ele coloca: " Tudo de que precisamos para nos livrar do ego é estarmos conscientes dele, uma vez que ele e a consciência são incompatíveis. A consciência é o poder oculto dentro do momento presente."

Yoga é uma escada que vamos subindo para no final alcançar Samadhy, que é plenitude, paz. Chega-se lá a medida que se avança pelos outros estágios da prática. Samadhy é o fruto da meditação. Os primeiros degraus são os preceitos éticos, Yamas e Nyamas, Asanas, Pranayama, Prathyarara, Dharana, Dhyana.

Para ilustrar este texto escolhi o trabalho da fotógrafa Catherine Ferraz, grande amiga e aluna querida. Quando vi esta imagem em uma exposição, logo associei aos degraus que subimos para alcançar o objetivo final do Yoga, o infinito. Isto é Yoga.

Namastê.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Tantra. Origem do Hatha Yoga


Recentemente fiz um workshop com um estudioso de textos tântricos, Chris Tompkins, PHD em sânscrito, pós graduado em Harvard e Berkeley. Ele está traduzindo textos tântricos que nunca até então haviam sido desvendados.

Acho interessante dividir este ensinamento com vocês que praticam Yoga, e que se interessam pelo assunto. Para mim, é parte do meu trabalho, e faz total sentido.

O Tantra foi um movimento que aconteceu na Índia, sudoeste da Asia, Nepal, Tibet, por mais ou menos 700 anos, que teve início por volta do século VI e terminou no século XIV.

Segundo Chris Tompkins, o Tantra trouxe duas revolucionárias ofertas: primeira, o Nirvana que é a possibilidade de atingir a iluminação em uma única vida, através da prática do Yoga, e não em várias vidas como pregavam as tradições religiosas. Imagine o que isso significou na época. Segunda, os Mantras. Utilizar os bija mantras, sons semente inspirados nos elementos da natureza, que têm o poder de remover bloqueios de energia que impedem a iluminação. Os mantras despertam para um desejo de se atingir a plenitude. Ou seja, o que se percebe é que a integração com a natureza é a chave de entrada para o "despertar".

Os textos tântricos são instruções para o "despertar"; são prescrições onde dentre as várias técnicas sugeridas, é utilizado principalmente meditação com mantras. O Tantra não é filosófico, é prático, para todas as castas e ambos os sexos. É uma prática para todos, sem discriminação. Outra grande revolução na história.

No Tantra não existe passado e nem futuro, o que se valoriza é o momento presente, é o que se chama de kalottara (timelessness). Quando meditamos, estar no momento presente é fundamental. Quando a mente e a respiração se aquietam, shakti se eleva e aí entramos num estado de integração, no Yoga.

O Tantra enxerga o ser humano como um ser divino; assim, corpo, mente e espírito são igualmente divinos. Era através do corpo que se buscava a "iluminação". O corpo é por onde flui shakti. O Hatha Yoga teve sua origem no Tantra. O Hatha Yoga teve seu início no século XIII e perdurou até o século IXX. Os asanas (posturas do Yoga) são movimentos espontâneos que acontecem depois do despertar, e que expressam o Nirvana. Os asanas são como uma dança dos deuses.

Segundo o Tantra, o Universo é feito de sons onde Shiva, energia masculina, e Shakti, energia feminina, formam a dança que pulsa no coração do Universo. Isso é o que é chamado de Spanda, movimento contínuo e infinito da natureza.

Percebe-se que está havendo um movimento mundial acontecendo naturalmente onde os princípios tântricos estão sendo redescobertos pela humanidade. As pessoas estão "despertando", e se dando conta de que viver o momento presente é a grande sacada para ser feliz. E que a energia que se origina da natureza e a sua conexão com ela são primordiais para a saúde e preservação da existência humana.

Quando ocorre o "despertar", a dissolução do ego acontece como consequência natural. Começamos a nos dar conta de que somos algo além do eu sou isso ou aquilo, eu quero, eu tenho, eu posso; somos muito mais do que pensamentos e emoções que incessantemente perturbam a nossa mente nos afastando do momento presente e trazendo mais ansiedade.

Este caminho é o que o Eckhart Tolle no livro "O Despertar de uma Nova Consciência" descreve como a nova consciência emergente.

Termino com um poema tântrico do século IX, Spanda Kankas:

" We praise that Auspicious One (Shiva) who is the (consciouness that is the) universal sourse of Energy (Shakti). By expansion (unmesa) of Shiva and Shakti, the universe appears, and by its contraction (nimesa), the universe is re-absorbed." traduzido por Chris Tompkins.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Shri Yantra. Poder criativo do Universo



O Yoga cultiva a arte da meditação. O Shri Yantra é uma obra de arte gráfica da tradição Hindu e Budista considerada a mais poderosa e mística das mandalas. Sua imagem representa o poder criativo do universo. Seu mantra é o OM. O Shri Yantra é usado com o objetivo de meditação, manter o olhar para a sua imagem induz a um estado de calma e tranquilidade.

Para treinar Dharana, concentração em um único ponto, o Shri Yantra é uma boa maneira. Experimente:

"Dirija o olhar para o Yantra e focalize o seu centro. Este ponto central é chamado de Bindu e representa a unidade que está por trás de toda a diversidade do mundo físico.

Agora focalize o triângulo que envolve o bindu. O triângulo que aponta para baixo representa o poder criativo feminino e o triângulo que aponta para cima representa a energia masculina.

Expanda seu olhar até incluir os círculos externos aos triângulos. Eles representam os ciclos dos ritmos cósmicos. A imagem do círculo incorpora a noção de que o tempo não tem início e nem fim. A região mais longínqua do espaço e o núcleo interno de um átomo pulsam ambos com a mesma energia rítmica da criação. Esse ritmo está dentro e fora de você.

Perceba as pétalas de lótus do lado externo do círculo. Observe que elas se apontam para fora, como que se abrindo. Elas ilustram o desdobrar de nosso entendimento. O lótus também representa o coração, o assento do Eu. Quando o coração se abre, o entendimento vem.

O quadrado na parte externa do yantra representa o mundo da forma, o mundo material que nossos sentidos nos mostram, a ilusão de separação, de limites e fronteiras bem definidos. Na periferia da figura existem quatro portais em forma de T. Observe que apontam para o interior do yantra, os espaços mais internos da vida. Eles representam a nossa passagem terrena do externo e material para o interno e sagrado.

Agora por alguns instantes olhe para dentro do yantra, permitindo que as formas e desenhos diferentes surjam naturalmente e deixe que seu olhar fique desfocado. Olhe para o centro do yantra. Sem mover os olhos, gradualmente comece a expandir seu campo de visão. Continue a expandi-lo até que esteja recebendo informação de mais de 180 graus. Observe que toda esta informação estava lá o tempo todo, mesmo que só agora você tenha se conscientizado disso. Agora, lentamente, reverta o processo voltando a enfocar novamente o centro do yantra.

Agora, lentamente, feche os olhos. Você ainda pode ver o yantra com os olhos da mente. Os desenhos representados por essas formas primordiais expressam as forças fundamentais da natureza que governam o mundo e cada um de nós."

Trecho retirado do livro "Ayurveda Cultura de bem-viver" por Marcia De Luca.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Dharana. Concentração


Gerbera

Dharana é traduzido como concentração. Dos oito estágios do Yoga descritos nos Yoga Sutras de Patanjali, Dharana é o sexto estágio, depois das disciplinas éticas Yamas, Nyamas, Asanas, Pranayama e Pratyahara.

Dharana é o controle da mente com o foco na atenção. É o desenvolvimento da capacidade de manter a atenção. As técnicas de Dharana consistem nas várias maneiras de manter o foco da atenção, se concentrando em um único ponto, que pode ser um objeto, uma flor, uma idéia, na luz de uma vela, um mantra, um yantra, na respiração, no batimento do coração....

Dharana são técnicas que auxiliam o processo que antecede o estado meditativo.

Para treinar Dharana, sente-se com as pernas cruzadas no chão e para mais conforto sobre uma almofada ou apoie as costas na parede. Coloque um vaso com uma flor à sua frente. Fixe o olhar na flor e vá se desligando dos estímulos externos. Quando os pensamentos vierem, o que acontece, naturalmente volte a atenção para a flor. Mantenha o olhar na flor por alguns minutos sem nenhuma expectativa e julgamento, apenas observe. Deixe a imagem ser absorvida pela mente. Ao final, feche os olhos. Observe as sensações. Faça uma fricção com as palmas das mãos, aproximando-as dos olhos em forma de concha por alguns segundos. Em seguida abra os olhos naturalmente. Você pode fazer este mesmo processo observando a chama de uma vela. Esta prática chama-se Trataka.

Na procura de uma imagem para ilustrar este texto, encontrei esta Gerbera que me chamou a atenção. Repare na imagem acima como cada pétala se assemelha à chama de uma vela. A cor do fogo é representada na flor. O elemento fogo parece que se expressa na natureza decorando cada pétala.

O fogo é considerado a porta de entrada para o divino, para o espírito, para a consciência universal. O fogo nos conduz a um lugar onde não há barreiras. Nos conduz rumo ao infinito.

A Natureza é mágica, é maravilhosa!

Conecte-se com o divino através da Natureza. Isto é Yoga.

Namastê.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Na beira do Ganges.

Ganges, Índia, 2008

Depois da oportunidade que tive esta uma semana de receber tantos ensinamentos e vivências sobre o Tantra com Chris Tompkins, PHD em sâscrito que está desvendando textos tântricos nunca antes traduzidos, lembrei de um momento quando
estive num retiro na Índia há dois anos atrás, nas margens do Ganges, nos Himalaias.

Logo que cheguei fiquei tão extasiada com a beleza do lugar, com a natureza tão vibrante que me sentei nas pedras às margens deste poderoso rio, próximo da sua nascente. Alí, embasbacada com a energia, escrevi estas palavras para agradecer aquele momento.

I would like to thank all the five elements in its purity, essenciality, silence, consciouness.

To the sun that bring us life

To the sky, in its pure blue

To the air, in its refreshing prana that flows from Himalaia

To the water that flows pure throughout Ganges

To eter in its Shiva form

To Nature in its intensity and beauty.

Consciouness is here.

The static essence of Purusha and Prakriti movement.

Shiva and Shakti in perfect balance.

It is what I want for my life.

Balance.

All the elements toguether, so I can feel them through my senses.

Let the Ganges flow through our hearts

Let the Ganges flow through our path.

Ommmmm

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pratyahara. Controle dos sentidos


Projeto Tamar

Pratyahara é traduzido como abstração dos sentidos. Porém, não é simplesmente ocultá-los, mas sim, remanejá-los e ter a habilidade de ir além, desenvolvendo a percepção interna.

Neste mundo agitado e dinâmico em que vivemos, somos muito estimulados pela mídia que disturba incessantemente a mente. Os nossos sentidos são muito afetados.

Nas palavras espontâneas do Swami Shidananda que esteve em São Paulo no evento do Yoga pela Paz, me chamou a atenção quando ele disse: "precisamos nos conectar com a "innernet" e não com a internet...". Precisamos nos conectar com o nosso íntimo. Quando nos conectamos com o interno, silenciamos a mente, os sentidos e o prana.

Um exemplo que facilita a compreensão deste conceito é imaginarmos como se fôssemos uma tartaruga quando recolhe as patas, cabeça e o rabo e se volta para dentro do casco.

Pratyahara é se voltar para dentro, de forma que os sentidos não dispersem a atenção.

Pratyahara é o processo de preparação para meditação.

Você está conectado com a mídia ou com o coração?

Namastê!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Respirar


Respirar é estar vivo.
Respirar é estar em contato com o mundo exterior.
Respirar é trocar.
Respirar é a energia que flui de dentro para fora e de fora para dentro.
Respirar é pulsar.
Respirar é estar em movimento.
Respirar nos traz a energia que nos nutre.
Respirar é purificar.
Respirar é sentir a Natureza pelo olfato.
Respirar é nos conectar com o Prana.
Prana é a energia vital que nos matêm vivos.
Prana é o que movimenta a vida.
Prana é a expressão mais pura da Natureza.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Pranayama. Controle da respiração


Prana, quer dizer energia vital; e ayama, expansão. Pranayama é a expansão da energia vital.

Dos oito estágios do Yoga descritos nos Yoga Sutras de Patanjali, Pranayama é o quarto estágio, depois das disciplinas éticas Yamas e Nyamas e dos Asanas.

Pranayama são técnicas de respiração do Yoga que tem o objetivo de aquietar a mente.

A respiração tem uma ligação direta com tudo o que acontece no nosso corpo e na mente. Quando corremos ou subimos uma escada, por exemplo, a respiração se altera; quando estamos ansiosos e agitados a respiração se altera tornando-se curta, rápida e irregular; já quando estamos relaxados a nossa respiração se torna lenta. Daí, percebemos que o estado da nossa mente se reflete na respiração. Se podemos controlar a respiração diminuíndo o seu ritmo, podemos controlar também o estado da nossa mente, tranquilizando-a.

Através da respiração, permitimos que o Prana, energia vital, flua por todo o corpo, purificando, energizando, reduzindo tensões, bloqueios energéticos e o estresse.

Pranayama não só exercita os pulmões, como todos os orgãos do corpo, massageando-os através da ação da inspiração e expiração. Essa massagem interna ativa a circulação de todos os orgãos, trazendo equilíbrio para o funcionamento do corpo.

A base técnica do Pranayama é manter a respiração controlada e equilibrada. Pranayama nos ensina através de técnicas respiratórias, onde a respiração pode ser aprofundada, ritmada e dirigida, a ter um maior controle sobre ela e consequentemente tranquilizar a mente.

Pranayama é uma técnica importante para a prática da meditação.

Namastê!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Prana Krya. Respiração completa do Yoga


Prana Krya, ou respiração completa, é o primeiro passo para começar a praticar Pranayama.

Em um lugar tranquilo e arejado, deite-se de costas sob o seu "mat", flexione os joelhos, apoiando os pés no chão na largura do seu quadril e para maior conforto una os joelhos. Deixe os braços ao longo do corpo com as palmas das mãos voltadas para cima, procurando relaxar os ombros e o peito. Sinta-se totalmente estável e confortável. Feche os olhos.

Nos próximos minutos apenas observe o ritmo natural e espontâneo da sua respiração. Explore a sua respiração. Perceba se está rápida, curta ou lenta. Observe o ar que entra e que sai dos seus pulmões, o toque do ar nas narinas, a temperatura do ar mais fresca na inspiração e mais morna na expiração.

Agora comece a interferir na sua respiração, procurando respirar de uma maneira mais ampla, profunda e suave. Vamos vivenciar a respiração completa.

A respiração completa ou Prana Krya tem três fases:
  • Respiração baixa ou abdominal: apoie as mãos sobre o seu abdômem. Sinta ao inspirar que o abdômem se expande, indo para cima; e ao expirar o abdômem naturalmente se contrai, indo para baixo.
  • Respiração média ou intercostal: apoie as mãos nas costelas. Sinta ao inspirar que as costelas se alargam lateralmente e ao expirar elas se fecham.
  • Respiração alta ou subclavicular: apoie as mãos sobre o peito. Sinta ao inspirar que o peito sobe se expandindo e ao expirar o peito desce.
Depois de sentir cada fase da respiração, comece a praticar a respiração completa. Deixe os braços novamente ao longo do corpo. Ao inspirar o abdômen se expande, as costelas se alargam e o peito sobe; ao expirar o peito desce, as costelas se fecham e o abdômem volta à posição normal.

Na respiração completa devemos usar todo o sistema respiratório. O importante é manter a respiração sempre no mesmo ritmo, lembrando de quatro características: a respiração deve ser ampla, profunda, fluida e suave.

Prana Krya é a base para todas as outras técnicas respiratórias do Yoga.

Pratique Prana Krya por 10 minutos todos os dias. Finalize em Shavasana por 5 minutos.

Depois de estar mais familiarizado com a respiração completa, pratique-a sentado em Sukasana (posição com as pernas cruzadas), ou encostado na parede para dar mais suporte na coluna ou mesmo sentado em uma cadeira.

Aos poucos com a prática, vamos aprendendo a respirar corretamente. Assim, a respiração completa se tornará a sua respiração natural, 24 horas por dia.

Ter consciência da respiração é estar no momento presente, sempre se auto observando.

So Ham!!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Flor de lotus.Vida imortal


A flor de lótus é a flor sagrada da Índia. A filosofia oriental considera a flor de lótus como o símbolo da evolução do homem. Compara o corpo humano com o fundo lodoso do lago em que se encontram as raízes desta planta. Enxerga a mente nas suas hastes, e a alma é simbolizada pela flor de pétalas brancas que desabrocham `a luz do sol.

Li uma história muito curiosa na abertura do meu exemplar do Bhagavad Gita. O Bhagavad Gita é um pequeno livro sagrado da Índia, que tem cerca de 5.000 anos. Seu texto narra o diálogo entre dois personagens, Krishna, que representa a encarnação humana da divindade, e Arjuna, que é o homem em busca do autoconhecimento. Este exemplar é antigo, da década de 60, uma edição muito especial, traduzida e comentada pelo professor e filósofo Huberto Rodhen, que herdei do meu pai.

A abertura do livro conta esta surpreendente história sobre duas sementes da flor de lótus que dormiram cerca de 50.000 anos e acordaram na década de 50.

A história destas flores é a seguinte: em 1920, um botânico japonês descobriu no leito seco de um lago na Manchúria um punhado de sementes de lótus, que segundo especialistas tinham aproximadamente 50.000 anos.

Duas destas sementes, em 1950, foram enviadas para os Estados Unidos e tratadas por um botânico americano em um jardim aquático em Washington. As sementes desta planta possuem um envólucro externo muito duro, como a de um côco, que as protege contra qualquer influência exterior.

Uma das faces da semente foi raspada para facilitar a penetração da umidade. Prontas para a germinação, foram colocadas em dois potes de terra e submersas nas águas de um viveiro aquático deste jardim. A expectativa era de que florescecem dentro de três anos, mas cinco meses depois começaram a germinar surpreendendo estudiosos do mundo todo.

Investigações geológicas demostraram que o leito do lago foi drenado em consequência de um levantamento do solo proveniente de uma pressão interna da crosta terrestre, há cerca de 50.000 anos. Nesta movimentação, as sementes foram interradas no fundo do lago onde permaneceram durante todo este tempo.

Esta história nos faz supor a duração ilimitada da vida em estado potencial e transforma a semente da flor de lótus no símbolo da imortalidade.

Om!!!!!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Uttanasana. Postura do Alongamento Intenso

Uttanasana

Ut quer dizer intenso, tana quer dizer alongamento e asana postura. Uttanasana é a postura do alongamento intenso.

Uttanasana é uma postura que alonga, fortalece e dá mobilidade à coluna vertebral. Proporciona alongamento em toda a musculatura posterior das pernas e na região lombar.

Como todas as posturas de flexão, o objetivo deste asana é flexionar o corpo, aproximando o tronco das pernas o máximo possível, mantendo a coluna e as pernas estendidas.

Uttanasana é uma posição que se conquista aos poucos. Quanto mais a praticamos mais o corpo vai se alongando. No início, alcançar a ponta dos dedos no chão exige um grande esforço. Aos poucos, com a conquista do alongamento, vamos colocando as mãos no chão e assim o tronco se aproxima cada vez mais das pernas. O importante é sempre respeitar os seus limites.


Tadasana

Para construir a posição, inicie em Tadasana (postura da montanha). Os pés podem estar unidos ou afastados na largura do quadril. O importante é ter os pés paralelos.


Urdhva Hastasana

Ao inspirar eleve os braços em Urdhva Hastasana (postura dos braços para cima)



ao expirar, desça o tronco ereto em direção as pernas.


Uttanasana

Durante a permanência em Uttanasana, observe o seu corpo na posição. Começe sempre pela área do corpo que está em contato com o chão, seus pés. Os pés devem estar firmes, com o peso do corpo bem distribuído. Cuidado para não deixar maior apoio nos calcanhares. As pernas devem estar estendidas, com as patelas dos joelhos contraídas para cima. Dessa forma, você protege o seu joelho de hiper extensão. Nunca pressione os joelhos para trás. A musculatura das coxas também deve estar ativa, contraindo os quadríceps para cima.

Os pés e as pernas formam a estrutura da posição. O resto do corpo deve permanecer relaxado. Ombros, braços, pescoço e cabeça completamente soltos. Deixe que o relaxamento e a força da gravidade promovam o alongamento. A respiração deve ser suave. Observe o corpo na posição.


Ardha Uttanasana

Para conquistar ainda mais alongamento em Uttanasana, pratique Ardha Uttanasana (meia postura do alongamento intenso). Quando estiver na posição, inspire alongando o tronco à frente, com a coluna ereta, a ponta dos dedos das mãos no chão, mantendo o olhar para frente....

Uttanasana

ao expirar aproxime mais o tronco das pernas. Aproxime as mãos dos respectivos cotovelos e entre na posição......

Uttanasana

ou estenda os braços para trás das pernas aproximando a face dos joelhos....


Uttanasana

ou aproxime ainda mais o tronco das pernas entrelaçando as mãos por trás.

Permaneça na sua versão da posição por alguns instantes, com a atenção no momento presente, observando o corpo e a respiração suave. Para retornar, faça o mesmo movimento que te levou à posição, subindo o tronco com a coluna ereta voltando à posição inicial (Tadasana).

Se você é iniciante ou tem algum problema na coluna, não force, semi flexione os joelhos e retorne desenrolando a coluna vértebra por vértebra deixando a cabeça por último.

Boa prática!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Isvara Pranidhana. Entrega


Isvara Pranidhana é o quinto Nyama. Isvara quer dizer Deus. Deus no sentido universal, o de Ser Supremo. Isvara não é associado a nenhuma divindade específica, mas a essa força maior.

Isvara Pranidhana é a total entrega. É deixar nas mãos de Deus.

Isvara Pranidhana é fazer tudo da melhor maneira possível, deixando o ego de lado e fazer das nossas ações ofertas ao Divino Universal.

Essa entrega é totalmente abrangente. Desde a sua intenção, quando executa um asana (postura), até os estados profundos de meditação, onde a entrega é total e absoluta. Essa entrega vai além do corpo e da mente, ela vem do coração.

Isvara Pranidhana é também colocar a energia do coração nos atos triviais da vida. Como por exemplo, preparar um jantar gostoso para os amigos.

Isvara Pranidhana é estar profundamente inserido no que se está fazendo. É colocar sua alma em tudo que faz.

Namastê!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Svadhyaya. Auto-observação


Svadhyaya é o quarto Nyama. Svadhyaya é praticar a auto-observação, o auto estudo. É estar observando o seu corpo, a sua respiração, a sua mente, as sensações, os sentimentos, 24 horas por dia. Esta é a maneira de chegar mais perto de você mesmo e se conhecer.

Para conhecer alguma coisa é preciso observar, Svadhyaya, é explorar a si mesmo. Conhecer a si mesmo é um processo que não envolve julgamento ou críticas, apenas a auto-observação.

O auto-estudo, Svadhyaya, tem início na leitura dos textos de Yoga, onde buscamos refletir sobre seus ensinamentos, e vê-los se manifestarem nas nossas vidas.

Quando praticamos os asanas, a auto-observação é o que nos leva ao ajuste da postura para que a posição se torne estável e confortável. A observação da respiração é fundamental, não só na execução dos asanas (posturas) como nos exercícios respiratórios (pranayama), no relaxamento e na meditação.

A auto-observação nos conduz a estados de concentração (dharana) e de meditação (dhyana).

O que é mais interessante em praticar Svadhyaya, é que conseguimos nos manter no momento presente. Se estamos nos auto-observando sempre, estamos no "right now", no aqui e no agora.

O auto-estudo, a auto-observação ou auto-análise, nos faz caminhar rumo ao auto-conhecimento. Através do auto-conhecimento podemos evoluir como seres humanos e nos transformar em seres melhores, menos egoistas e mais conscientes.

Namastê!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Tapas. Diciplina


Tapas é o terceiro Nyama. Tapas quer dizer determinação, esforço intenso, austeridade.

Para se obter sucesso no caminho do Yoga, diciplina é fundamental. É necessário a prática constante, dedicada e prolongada para um resultado duradouro.

Tapas é fazer a sua prática de asanas (posturas), pranayama (respiração) e meditação, sempre, com intenção e disposição. De que adianta ler textos de Yoga se não o colocamos em prática diária. É claro que a leitura dos ensinamentos é importante, mas uma filosofia só é comprovada quando aplicada.

Tapas é aquela força de vontade que nos faz mover rumo a um objetivo. Um bom profissional, seja médico, empresário, esportista ou professor de Yoga, é aquele que é dedicado, que coloca paixão no que faz. Tapas é essa força de vontade que vem da energia do coração.

As abelhas são um exemplo de Tapas na natureza. São insetos extremamente laboriosos e muito diciplinados. São determinadas na construção das colméias, além de serem as maiores agentes de polinização. E o resultado do seu trabalho é o mel, a geléia real e o própolis.

Namastê!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Santosha. Contentamento

Jaipur, Índia, por Sylvia Freire

Satosha é o segundo Nyama. O estado de Santosha, contentamento, pode ser cultivado valorizando o que temos e não desejando mais do que precisamos.

A tendência do ser humano é estar sempre insatisfeito, achando que está faltando alguma coisa ou o que o outro tem é melhor. É aquele típico sentimento de que a grama do vizinho é mais verde do que a sua. Este é o caminho da infelicidade. Quanto mais se tem, mais se quer e mais insatisfeitos ficamos.

Às vezes precisamos passar por alguma dificuldade para dar valor ao que temos. Vivi uma experiência de cultivo a Santosha quando estive na Índia, em um ashram em Rishikesh. As instalações eram muito precárias e carentes de limpeza. Banhos frios e de torneira, pouco cobertor para o frio que fazia, além da comida que era preparada sem critérios de higiene. Sem dúvida foram dias que nunca mais vou esquecer.

A janela do meu quarto era de frente para a rua onde haviam pias públicas. Logo bem cedo pela manhã, eu ouvia os Sadus que tinham passado a noite na rua e ao relento, na sua maioria sem cobertor, usando essas pias. Aquilo me deixava atônita. Eu, reclamando da minha situação e ao meu lado pessoas numa condição que não posso chamar de precária pois os Sadus não possuem nada, além da roupa do corpo e de uma bacia para alimentos que são doados.

Sadus são pessoas que renunciam à vida material e social e se tornam andarilhas cultivando uma elevação espiritual.

Foi uma grande experiência para mim. Quando voltei para casa, valorizei o meu banho quente, banheiro limpo e uma cama quentinha.

Santosha é ser feliz com o que se tem. Isto é Yoga.

Namastê!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sauca. Limpeza


A prática do Yoga nos conduz a um processo de purificação. Sauca é o princípio de pureza e limpeza por dentro e por fora do corpo. Sauca é o primeiro Nyama, princípios éticos preconizados por Patanjali.

A prática dos asanas (posturas) purifica o corpo por dentro, o sangue, as células, os orgãos e nossos condutos energéticos. Quando realizamos os asanas devemos ter sempre em mente a intenção de purificar o corpo.

Quando começamos a observar melhor o corpo, começamos também a selecionar mais o que ingerimos. Comidas que sabemos que não são saudáveis e que nos fazem mal, naturalmente começam a ser descartadas. O próprio corpo quer ser nutrido por alimentos naturais que promovam uma purificação interna. Excesso de comida também polui o corpo.

O sentido de limpeza se estende também para o corpo exterior, como manter o corpo limpo, com banhos diários.

Despoluir a mente é também parte do processo de purificação. Pensamentos negativos e violentos são altamente poluentes. O ideal é receber estímulos do mundo exterior, através dos nossos sentidos, que sejam puros. Respirar ar puro, ouvir sons suaves como os da natureza, comer alimentos orgânicos.

Quando coloco isso, não quero ser utópica pois vivemos num centro urbano que nos bombardeia de informações e de poluição. O que acredito e coloco em prática na minha vida, é selecionar este excesso de estímulos do mundo exterior. Evito receber notícias de desgraças o tempo todo pela TV. Prefiro assistir filmes que não tenham violência. Procuro estar em ambientes calmos e tranquilos. Quando posso, me aproximo da natureza para me conectar com a sua pureza. A natureza é essencialmente pura.

Sauca é cultivar sentimentos puros e genuínos.

Namastê !

domingo, 20 de junho de 2010

Ética. Yamas e Nyamas


Para evoluirmos como seres humanos e crescermos espiritualmente, desenvolver a ética é fundamental neste caminho.

A ética nos permite viver em harmonia internamente, corpo e mente e externamente, nas relações sociais. A ética integra o homem e a natureza. Ética é integridade e respeito. É filosofia em ação.

Yamas e Nyamas são princípios essenciais que fazem parte do código de ética desenvolvido por Patanjali (200 AC) que orientam a formação do caráter do yogui. Yamas e Nyamas formam o alicerce do Yoga, para que possamos caminhar rumo ao infinito, objetivo final do Yoga.

Os Yamas e Nyamas constituem 10 princípios: 5 Yamas e 5 Nyamas.

Yamas: Ahimsa (não violência), Satya (verdade), Asteya (integridade), Brahamcharia (controle dos impulsos), Aparigraha (desapego).

Nyamas: Sauca (limpeza), Santosha (contentamento), Tapas (diciplina), Svadhyaya (auto-estudo), Isvara-Pranidhana (entrega).

Namastê!
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