quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Samadhy.

Golfinhos em Fernando de Noronha

Samadhy é o objetivo final do Yoga. Samadhy é o oitavo e último estágio do Yoga de acordo com os Yoga Sutras de Patanjali.

Quando se está em Samadhy entramos num estado que está fora do tempo e do espaço....as flutuações da mente não existem mais...estamos livres dos pensamentos....momento em que o ego se dissolve...entramos em contato com o coração... com a nossa verdadeira natureza... a essência....e aí surge felicidade, liberdade, paz, Samadhy.

É difícil descrever Samadhy, pois é algo inexplicável, espontâneo e único. Mas de qualquer forma, para ilustrar, me arrisco a contar uma experiência pessoal inesquecível em Fernando de Noronha que para mim foi muito especial.

Fernando de Noronha é um dos lugares mais bonitos do mundo onde a natureza está em permanente Samadhy. Para qualquer lugar que se olhe, só se encontra plenitude. O céu azul límpido, sol intenso, árvores abrigando milhares de espécies de pássaros em seu ninhos, praias desertas deslumbrantes de águas transparentes. Tudo isso sem uma rede de hotéis disputando espaço na orla, o que torna o lugar ainda mais sublime. Diria que Fernando de Noronha é um paraíso na Terra.

O mundo fora da água é deslumbrante, para não falar do misterioso mundo que acontece de baixo da água. É neste cenário que a minha experiência aconteceu.

Logo que cheguei, fiquei deslumbrada com tanta beleza da natureza. A primeira coisa que fiz foi sair para uma caminhada para conhecer as tão bonitas praias. Na primeira praia, não resisti aquele convite que o mar já me fazia. Mar com poucas ondas, água na temperatura ideal o que te permite ficar por um bom tempo sem sentir qualquer desconforto. Nadava apenas observando através da água tranparente o gigantesco cardume de sardinhas que dançavam numa sincronia perfeita refletindo sua cor prateada na luz do sol. Enquanto isso, pássaros eram atraídos por este momento e mergulhavam na água em busca das sardinhas. O único ruído que se ouvia era o das asas dos pássaros e seus mergulhos. Viver isso para mim já foi um êxtase.

Depois deste banho de mar maravilhoso, fui caminhado rumo a praia seguinte. Atravessei por um caminho de pedras e novamente me deparei com uma outra praia deslumbrante e completamente deserta. Fui caminhando pela areia quando vi de longe que alguém caminhava na minha direção. Quando nos aproximamos, vi que era um garoto nativo que vendia água numa caixa de isopor. Que sorte a minha pensei, nada como água fresca num dia de sol e calor numa praia deserta. Logo comecei a bater papo com o garoto que me contou que nunca havia saído da ilha. Imagina que vida privilegiada poder viver numa ilha paradisíaca, comendo peixes frescos todos os dias, sem trânsito, sem violência, totalmente integrado com a natureza. Diria que é para poucos!

Naquele momento olhando para o horizonte vejo centenas de golfinhos passando bem longe, quase em alto mar. Todos os dias bem cedo pela manhã os golfinhos passam pela orla e se abrigam numa baia numa ponta da ilha durante o dia. Este lugar é mais protegido de ataque de tubarões e assim os golfinhos filhotes e suas mamães podem ficar seguros e tranquilos durante o dia. Ao entardecer, eles retornam e foi neste momento que os vi passarem. Encantada com aquela cena, o garoto me perguntou: gostaria de ir nadando até os golfinhos? respondi que sim, apesar de não ter muita familiaridade com o mar, pois tenho medo de nadar em alto mar e pavor de tubarões. Ele disse: não tenha medo! se você quiser te levo até eles. Naquele momento a sensação do medo e do desconhecido sumiram e uma força maior me conduziu em direção ao mar. Coloquei nadadeira nos pés, esnorquil e lá fomos nós. O garoto e eu segurávamos a mesma boia salva vidas rumo ao alto mar. Comecei a ouvir um ruído de baixo da água, era o sonar dos golfinhos. Quanto mais para o fundo íamos mais o ruído aumentava. De repente, centenas de golfinhos começaram a aparecer e passar por nós. A água era tão transparente que a visibilidade era total. Eles passavam por nós e apenas olhavam curiosos. Surprendentemente alguns golfinhos começaram a se aproximar com seu filhotes. Parecia que queriam mostrar os filhotes. Neste momento eu ria, chorava de tanta emoção. Foram momentos realmente indescritíveis de total pureza e integração com a natureza. Para mim foi uma experiência de Samadhy. Foi uma tarde que jamais esquecerei.


Praia do Sancho, Fernando de Noronha (por Sylvia Freire)

Uma das praias mais bonitas que conheci!


Morro Dois Irmãos, Fernando de Noronha (por Sylvia Freire)

Cartão postal da ilha.


Namastê.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Sequência revigorante.

Esta é uma sequência revigorante, simples, fácil de memorizar que alonga e fortalece a coluna, pernas, ombros e braços, com uma atenção maior para a torção. Promove a abertura do peito estimulando a energia do coração. Estimula e massageia também os orgãos abdominais, melhorando a digestão e a eliminação. Desenvolve o equilíbrio. Vamos lá!

Balasana

Inicia-se em Balasana, postura da criança. Nesta posição procure estender os braços para frente naturalmente alongando as laterais do corpo. Apoie as mãos bem espalmadas firmes no chão. A distância entre mãos é a mesma dos ombros. Apoie os glúteos nos calcanhares, relaxaxando a cabeça e a musculatura do rosto. Deixe a respiração fluir no ritmo natural. Observe o corpo na posição.

Biladasana

Eleve os quadris e entre na postura do gato, Biladasana. Nesta posição alinhe-se mantendo a distância entre os joelhos a mesma do quadril, e a distância das mãos a mesma dos ombros. Mantenha uma linha reta entre quadril e joelhos, ombros e punhos. Olhe para baixo mantendo a coluna paralela ao chão.

Biladasana

Movimente a coluna para baixo, abrindo o peito e subindo a cabeça na inspiração...

Biladasana

Movimente a coluna para cima, contraindo o abdomem, soltando a cabeça ao expirar.
Faça este movimento quatro vezes sincronizando o movimento com a respiração.

Biladasana

Quando terminar os movimentos volte a posição inicial, checando o seu alinhamento novamente. Agora traga a perna direita a frente apoiando o pé entre as mãos...


Mantenha a mão esquerda e o pé direito firmes no chão. Na próxima inspiração eleve o braço direito e alongue-o em direção ao infinito. A cabeça acompanha o movimento. Procure abrir o peito. Permaneça estável na posição.

Parivrtta Parsvakonasana

Mantenha o alinhamento da postura anterior, apenas estendendo a perna esquerda. Permaneça em Parivrtta Parsvakonasana por alguns instantes. Faça algumas respirações profundas e conscientes observando o corpo na posição.

Corredor

Volte o braço apoiando novamente as mãos no chão. Mantenha o olhar para frente na postura do corredor. Faça algumas respirações mantendo a posição.

Adho Mukha Svanasana

Leve a perna direita alongada para trás e transmute para Adho Mukha Svanasana. Nesta posição alongue todo o seu corpo. Apoie firmemente os pés e mãos no chão. Estenda as pernas e braços. Procure colocar os ísquios para cima, contraia o abdomem e alinhe a cabeça no prolongamento natural da coluna (orelha na linha dos braços). Permaneça na posição por algumas respirações, observando o corpo na posição.

Balasana

Retorne a postura da criança, Balasana. Relaxe o corpo e pratique a auto-observação. Recomece a sequência para o outro lado. Boa prática!

Namastê.
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