quarta-feira, 14 de julho de 2010

Isvara Pranidhana. Entrega


Isvara Pranidhana é o quinto Nyama. Isvara quer dizer Deus. Deus no sentido universal, o de Ser Supremo. Isvara não é associado a nenhuma divindade específica, mas a essa força maior.

Isvara Pranidhana é a total entrega. É deixar nas mãos de Deus.

Isvara Pranidhana é fazer tudo da melhor maneira possível, deixando o ego de lado e fazer das nossas ações ofertas ao Divino Universal.

Essa entrega é totalmente abrangente. Desde a sua intenção, quando executa um asana (postura), até os estados profundos de meditação, onde a entrega é total e absoluta. Essa entrega vai além do corpo e da mente, ela vem do coração.

Isvara Pranidhana é também colocar a energia do coração nos atos triviais da vida. Como por exemplo, preparar um jantar gostoso para os amigos.

Isvara Pranidhana é estar profundamente inserido no que se está fazendo. É colocar sua alma em tudo que faz.

Namastê!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Svadhyaya. Auto-observação


Svadhyaya é o quarto Nyama. Svadhyaya é praticar a auto-observação, o auto estudo. É estar observando o seu corpo, a sua respiração, a sua mente, as sensações, os sentimentos, 24 horas por dia. Esta é a maneira de chegar mais perto de você mesmo e se conhecer.

Para conhecer alguma coisa é preciso observar, Svadhyaya, é explorar a si mesmo. Conhecer a si mesmo é um processo que não envolve julgamento ou críticas, apenas a auto-observação.

O auto-estudo, Svadhyaya, tem início na leitura dos textos de Yoga, onde buscamos refletir sobre seus ensinamentos, e vê-los se manifestarem nas nossas vidas.

Quando praticamos os asanas, a auto-observação é o que nos leva ao ajuste da postura para que a posição se torne estável e confortável. A observação da respiração é fundamental, não só na execução dos asanas (posturas) como nos exercícios respiratórios (pranayama), no relaxamento e na meditação.

A auto-observação nos conduz a estados de concentração (dharana) e de meditação (dhyana).

O que é mais interessante em praticar Svadhyaya, é que conseguimos nos manter no momento presente. Se estamos nos auto-observando sempre, estamos no "right now", no aqui e no agora.

O auto-estudo, a auto-observação ou auto-análise, nos faz caminhar rumo ao auto-conhecimento. Através do auto-conhecimento podemos evoluir como seres humanos e nos transformar em seres melhores, menos egoistas e mais conscientes.

Namastê!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Tapas. Diciplina


Tapas é o terceiro Nyama. Tapas quer dizer determinação, esforço intenso, austeridade.

Para se obter sucesso no caminho do Yoga, diciplina é fundamental. É necessário a prática constante, dedicada e prolongada para um resultado duradouro.

Tapas é fazer a sua prática de asanas (posturas), pranayama (respiração) e meditação, sempre, com intenção e disposição. De que adianta ler textos de Yoga se não o colocamos em prática diária. É claro que a leitura dos ensinamentos é importante, mas uma filosofia só é comprovada quando aplicada.

Tapas é aquela força de vontade que nos faz mover rumo a um objetivo. Um bom profissional, seja médico, empresário, esportista ou professor de Yoga, é aquele que é dedicado, que coloca paixão no que faz. Tapas é essa força de vontade que vem da energia do coração.

As abelhas são um exemplo de Tapas na natureza. São insetos extremamente laboriosos e muito diciplinados. São determinadas na construção das colméias, além de serem as maiores agentes de polinização. E o resultado do seu trabalho é o mel, a geléia real e o própolis.

Namastê!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Santosha. Contentamento

Jaipur, Índia, por Sylvia Freire

Satosha é o segundo Nyama. O estado de Santosha, contentamento, pode ser cultivado valorizando o que temos e não desejando mais do que precisamos.

A tendência do ser humano é estar sempre insatisfeito, achando que está faltando alguma coisa ou o que o outro tem é melhor. É aquele típico sentimento de que a grama do vizinho é mais verde do que a sua. Este é o caminho da infelicidade. Quanto mais se tem, mais se quer e mais insatisfeitos ficamos.

Às vezes precisamos passar por alguma dificuldade para dar valor ao que temos. Vivi uma experiência de cultivo a Santosha quando estive na Índia, em um ashram em Rishikesh. As instalações eram muito precárias e carentes de limpeza. Banhos frios e de torneira, pouco cobertor para o frio que fazia, além da comida que era preparada sem critérios de higiene. Sem dúvida foram dias que nunca mais vou esquecer.

A janela do meu quarto era de frente para a rua onde haviam pias públicas. Logo bem cedo pela manhã, eu ouvia os Sadus que tinham passado a noite na rua e ao relento, na sua maioria sem cobertor, usando essas pias. Aquilo me deixava atônita. Eu, reclamando da minha situação e ao meu lado pessoas numa condição que não posso chamar de precária pois os Sadus não possuem nada, além da roupa do corpo e de uma bacia para alimentos que são doados.

Sadus são pessoas que renunciam à vida material e social e se tornam andarilhas cultivando uma elevação espiritual.

Foi uma grande experiência para mim. Quando voltei para casa, valorizei o meu banho quente, banheiro limpo e uma cama quentinha.

Santosha é ser feliz com o que se tem. Isto é Yoga.

Namastê!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sauca. Limpeza


A prática do Yoga nos conduz a um processo de purificação. Sauca é o princípio de pureza e limpeza por dentro e por fora do corpo. Sauca é o primeiro Nyama, princípios éticos preconizados por Patanjali.

A prática dos asanas (posturas) purifica o corpo por dentro, o sangue, as células, os orgãos e nossos condutos energéticos. Quando realizamos os asanas devemos ter sempre em mente a intenção de purificar o corpo.

Quando começamos a observar melhor o corpo, começamos também a selecionar mais o que ingerimos. Comidas que sabemos que não são saudáveis e que nos fazem mal, naturalmente começam a ser descartadas. O próprio corpo quer ser nutrido por alimentos naturais que promovam uma purificação interna. Excesso de comida também polui o corpo.

O sentido de limpeza se estende também para o corpo exterior, como manter o corpo limpo, com banhos diários.

Despoluir a mente é também parte do processo de purificação. Pensamentos negativos e violentos são altamente poluentes. O ideal é receber estímulos do mundo exterior, através dos nossos sentidos, que sejam puros. Respirar ar puro, ouvir sons suaves como os da natureza, comer alimentos orgânicos.

Quando coloco isso, não quero ser utópica pois vivemos num centro urbano que nos bombardeia de informações e de poluição. O que acredito e coloco em prática na minha vida, é selecionar este excesso de estímulos do mundo exterior. Evito receber notícias de desgraças o tempo todo pela TV. Prefiro assistir filmes que não tenham violência. Procuro estar em ambientes calmos e tranquilos. Quando posso, me aproximo da natureza para me conectar com a sua pureza. A natureza é essencialmente pura.

Sauca é cultivar sentimentos puros e genuínos.

Namastê !

domingo, 20 de junho de 2010

Ética. Yamas e Nyamas


Para evoluirmos como seres humanos e crescermos espiritualmente, desenvolver a ética é fundamental neste caminho.

A ética nos permite viver em harmonia internamente, corpo e mente e externamente, nas relações sociais. A ética integra o homem e a natureza. Ética é integridade e respeito. É filosofia em ação.

Yamas e Nyamas são princípios essenciais que fazem parte do código de ética desenvolvido por Patanjali (200 AC) que orientam a formação do caráter do yogui. Yamas e Nyamas formam o alicerce do Yoga, para que possamos caminhar rumo ao infinito, objetivo final do Yoga.

Os Yamas e Nyamas constituem 10 princípios: 5 Yamas e 5 Nyamas.

Yamas: Ahimsa (não violência), Satya (verdade), Asteya (integridade), Brahamcharia (controle dos impulsos), Aparigraha (desapego).

Nyamas: Sauca (limpeza), Santosha (contentamento), Tapas (diciplina), Svadhyaya (auto-estudo), Isvara-Pranidhana (entrega).

Namastê!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Aparigraha. Desapego


Aparigraha é o quinto Yama. Aparigraha é não cobiçar, é não ser ganâncioso, é desapegar-se.

Aparigraha não quer dizer que precisamos nos desapegar do mundo material ou desprezá-lo. Adquirir bens materiais é um ato necessário, ainda mais no mundo de novidades e de tecnologia em que vivemos. Muitas coisas boas da vida, para serem aproveitadas é preciso dinheiro. Adquirir riqueza não é um mal, o problema é o acúmulo desnecessário ou adquiri-la com apego.

Para que acumular coisas que sabemos que são desnecessárias para nós? Dê o que não precisa para quem está necessitando. Faça a energia do mundo material circular, porque assim ela nunca vai faltar.

Aparigraha está relacionada não somente ao apego `as coisas mas também `a credos e filosofias. Do que adianta apegar-se a uma filosofia se não a colocamos em prática? Não deixa de ser um acúmulo desnecessário.

O oposto de apego, ganância e cobiça é liberdade. Isto é Yoga.

Namastê!
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