sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dhyana. Meditação

Imagem Catherine Ferraz

Dhyana, meditação, é o sétimo dos oito estágios do Yoga preconizados por Patanjali nos seus Yoga Sutras.

Patanjali define Yoga no seu primeiro sutra quando afirma "Yogás citta vrtti nirodhah", Yoga é a paralização das flutuações da mente. Ou seja, Yoga é meditação.

Para meditar é essencial aquietar a mente. Meditar é entrar num estado de tranquilidade, de calma absoluta. É entrar em contato com a sua verdadeira natureza, que na sua essência, é a consciência, que é alegria e paz.

O grande obstáculo para acessar a consciência é o nosso ego. A meditação só acontece quando o ego é neutralizado. O ego é constantemente alimentado pelo fluxo incessante de pensamentos e emoções que nos remete sempre ao passado ou ao futuro e nos distancia do nosso verdadeiro eu, do atmã, a essência divina.

Estou lendo o livro " Um novo mundo. O despertar de uma nova consciência." do Eckart Tolle e destaco alguns trechos em que ele aborda com muita clareza o comportamento do ego: "Quando vivemos por meio do eu construído pela mente, que se constitui de pensamentos e emoções do ego, a base da nossa identidade é precária porque os pensamentos e as emoções são, por sua própria natureza, efêmeras, instáveis." um pouco mais a frente ele coloca: " Tudo de que precisamos para nos livrar do ego é estarmos conscientes dele, uma vez que ele e a consciência são incompatíveis. A consciência é o poder oculto dentro do momento presente."

Yoga é uma escada que vamos subindo para no final alcançar Samadhy, que é plenitude, paz. Chega-se lá a medida que se avança pelos outros estágios da prática. Samadhy é o fruto da meditação. Os primeiros degraus são os preceitos éticos, Yamas e Nyamas, Asanas, Pranayama, Prathyarara, Dharana, Dhyana.

Para ilustrar este texto escolhi o trabalho da fotógrafa Catherine Ferraz, grande amiga e aluna querida. Quando vi esta imagem em uma exposição, logo associei aos degraus que subimos para alcançar o objetivo final do Yoga, o infinito. Isto é Yoga.

Namastê.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Tantra. Origem do Hatha Yoga


Recentemente fiz um workshop com um estudioso de textos tântricos, Chris Tompkins, PHD em sânscrito, pós graduado em Harvard e Berkeley. Ele está traduzindo textos tântricos que nunca até então haviam sido desvendados.

Acho interessante dividir este ensinamento com vocês que praticam Yoga, e que se interessam pelo assunto. Para mim, é parte do meu trabalho, e faz total sentido.

O Tantra foi um movimento que aconteceu na Índia, sudoeste da Asia, Nepal, Tibet, por mais ou menos 700 anos, que teve início por volta do século VI e terminou no século XIV.

Segundo Chris Tompkins, o Tantra trouxe duas revolucionárias ofertas: primeira, o Nirvana que é a possibilidade de atingir a iluminação em uma única vida, através da prática do Yoga, e não em várias vidas como pregavam as tradições religiosas. Imagine o que isso significou na época. Segunda, os Mantras. Utilizar os bija mantras, sons semente inspirados nos elementos da natureza, que têm o poder de remover bloqueios de energia que impedem a iluminação. Os mantras despertam para um desejo de se atingir a plenitude. Ou seja, o que se percebe é que a integração com a natureza é a chave de entrada para o "despertar".

Os textos tântricos são instruções para o "despertar"; são prescrições onde dentre as várias técnicas sugeridas, é utilizado principalmente meditação com mantras. O Tantra não é filosófico, é prático, para todas as castas e ambos os sexos. É uma prática para todos, sem discriminação. Outra grande revolução na história.

No Tantra não existe passado e nem futuro, o que se valoriza é o momento presente, é o que se chama de kalottara (timelessness). Quando meditamos, estar no momento presente é fundamental. Quando a mente e a respiração se aquietam, shakti se eleva e aí entramos num estado de integração, no Yoga.

O Tantra enxerga o ser humano como um ser divino; assim, corpo, mente e espírito são igualmente divinos. Era através do corpo que se buscava a "iluminação". O corpo é por onde flui shakti. O Hatha Yoga teve sua origem no Tantra. O Hatha Yoga teve seu início no século XIII e perdurou até o século IXX. Os asanas (posturas do Yoga) são movimentos espontâneos que acontecem depois do despertar, e que expressam o Nirvana. Os asanas são como uma dança dos deuses.

Segundo o Tantra, o Universo é feito de sons onde Shiva, energia masculina, e Shakti, energia feminina, formam a dança que pulsa no coração do Universo. Isso é o que é chamado de Spanda, movimento contínuo e infinito da natureza.

Percebe-se que está havendo um movimento mundial acontecendo naturalmente onde os princípios tântricos estão sendo redescobertos pela humanidade. As pessoas estão "despertando", e se dando conta de que viver o momento presente é a grande sacada para ser feliz. E que a energia que se origina da natureza e a sua conexão com ela são primordiais para a saúde e preservação da existência humana.

Quando ocorre o "despertar", a dissolução do ego acontece como consequência natural. Começamos a nos dar conta de que somos algo além do eu sou isso ou aquilo, eu quero, eu tenho, eu posso; somos muito mais do que pensamentos e emoções que incessantemente perturbam a nossa mente nos afastando do momento presente e trazendo mais ansiedade.

Este caminho é o que o Eckhart Tolle no livro "O Despertar de uma Nova Consciência" descreve como a nova consciência emergente.

Termino com um poema tântrico do século IX, Spanda Kankas:

" We praise that Auspicious One (Shiva) who is the (consciouness that is the) universal sourse of Energy (Shakti). By expansion (unmesa) of Shiva and Shakti, the universe appears, and by its contraction (nimesa), the universe is re-absorbed." traduzido por Chris Tompkins.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Shri Yantra. Poder criativo do Universo



O Yoga cultiva a arte da meditação. O Shri Yantra é uma obra de arte gráfica da tradição Hindu e Budista considerada a mais poderosa e mística das mandalas. Sua imagem representa o poder criativo do universo. Seu mantra é o OM. O Shri Yantra é usado com o objetivo de meditação, manter o olhar para a sua imagem induz a um estado de calma e tranquilidade.

Para treinar Dharana, concentração em um único ponto, o Shri Yantra é uma boa maneira. Experimente:

"Dirija o olhar para o Yantra e focalize o seu centro. Este ponto central é chamado de Bindu e representa a unidade que está por trás de toda a diversidade do mundo físico.

Agora focalize o triângulo que envolve o bindu. O triângulo que aponta para baixo representa o poder criativo feminino e o triângulo que aponta para cima representa a energia masculina.

Expanda seu olhar até incluir os círculos externos aos triângulos. Eles representam os ciclos dos ritmos cósmicos. A imagem do círculo incorpora a noção de que o tempo não tem início e nem fim. A região mais longínqua do espaço e o núcleo interno de um átomo pulsam ambos com a mesma energia rítmica da criação. Esse ritmo está dentro e fora de você.

Perceba as pétalas de lótus do lado externo do círculo. Observe que elas se apontam para fora, como que se abrindo. Elas ilustram o desdobrar de nosso entendimento. O lótus também representa o coração, o assento do Eu. Quando o coração se abre, o entendimento vem.

O quadrado na parte externa do yantra representa o mundo da forma, o mundo material que nossos sentidos nos mostram, a ilusão de separação, de limites e fronteiras bem definidos. Na periferia da figura existem quatro portais em forma de T. Observe que apontam para o interior do yantra, os espaços mais internos da vida. Eles representam a nossa passagem terrena do externo e material para o interno e sagrado.

Agora por alguns instantes olhe para dentro do yantra, permitindo que as formas e desenhos diferentes surjam naturalmente e deixe que seu olhar fique desfocado. Olhe para o centro do yantra. Sem mover os olhos, gradualmente comece a expandir seu campo de visão. Continue a expandi-lo até que esteja recebendo informação de mais de 180 graus. Observe que toda esta informação estava lá o tempo todo, mesmo que só agora você tenha se conscientizado disso. Agora, lentamente, reverta o processo voltando a enfocar novamente o centro do yantra.

Agora, lentamente, feche os olhos. Você ainda pode ver o yantra com os olhos da mente. Os desenhos representados por essas formas primordiais expressam as forças fundamentais da natureza que governam o mundo e cada um de nós."

Trecho retirado do livro "Ayurveda Cultura de bem-viver" por Marcia De Luca.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Dharana. Concentração


Gerbera

Dharana é traduzido como concentração. Dos oito estágios do Yoga descritos nos Yoga Sutras de Patanjali, Dharana é o sexto estágio, depois das disciplinas éticas Yamas, Nyamas, Asanas, Pranayama e Pratyahara.

Dharana é o controle da mente com o foco na atenção. É o desenvolvimento da capacidade de manter a atenção. As técnicas de Dharana consistem nas várias maneiras de manter o foco da atenção, se concentrando em um único ponto, que pode ser um objeto, uma flor, uma idéia, na luz de uma vela, um mantra, um yantra, na respiração, no batimento do coração....

Dharana são técnicas que auxiliam o processo que antecede o estado meditativo.

Para treinar Dharana, sente-se com as pernas cruzadas no chão e para mais conforto sobre uma almofada ou apoie as costas na parede. Coloque um vaso com uma flor à sua frente. Fixe o olhar na flor e vá se desligando dos estímulos externos. Quando os pensamentos vierem, o que acontece, naturalmente volte a atenção para a flor. Mantenha o olhar na flor por alguns minutos sem nenhuma expectativa e julgamento, apenas observe. Deixe a imagem ser absorvida pela mente. Ao final, feche os olhos. Observe as sensações. Faça uma fricção com as palmas das mãos, aproximando-as dos olhos em forma de concha por alguns segundos. Em seguida abra os olhos naturalmente. Você pode fazer este mesmo processo observando a chama de uma vela. Esta prática chama-se Trataka.

Na procura de uma imagem para ilustrar este texto, encontrei esta Gerbera que me chamou a atenção. Repare na imagem acima como cada pétala se assemelha à chama de uma vela. A cor do fogo é representada na flor. O elemento fogo parece que se expressa na natureza decorando cada pétala.

O fogo é considerado a porta de entrada para o divino, para o espírito, para a consciência universal. O fogo nos conduz a um lugar onde não há barreiras. Nos conduz rumo ao infinito.

A Natureza é mágica, é maravilhosa!

Conecte-se com o divino através da Natureza. Isto é Yoga.

Namastê.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Na beira do Ganges.

Ganges, Índia, 2008

Depois da oportunidade que tive esta uma semana de receber tantos ensinamentos e vivências sobre o Tantra com Chris Tompkins, PHD em sâscrito que está desvendando textos tântricos nunca antes traduzidos, lembrei de um momento quando
estive num retiro na Índia há dois anos atrás, nas margens do Ganges, nos Himalaias.

Logo que cheguei fiquei tão extasiada com a beleza do lugar, com a natureza tão vibrante que me sentei nas pedras às margens deste poderoso rio, próximo da sua nascente. Alí, embasbacada com a energia, escrevi estas palavras para agradecer aquele momento.

I would like to thank all the five elements in its purity, essenciality, silence, consciouness.

To the sun that bring us life

To the sky, in its pure blue

To the air, in its refreshing prana that flows from Himalaia

To the water that flows pure throughout Ganges

To eter in its Shiva form

To Nature in its intensity and beauty.

Consciouness is here.

The static essence of Purusha and Prakriti movement.

Shiva and Shakti in perfect balance.

It is what I want for my life.

Balance.

All the elements toguether, so I can feel them through my senses.

Let the Ganges flow through our hearts

Let the Ganges flow through our path.

Ommmmm

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pratyahara. Controle dos sentidos


Projeto Tamar

Pratyahara é traduzido como abstração dos sentidos. Porém, não é simplesmente ocultá-los, mas sim, remanejá-los e ter a habilidade de ir além, desenvolvendo a percepção interna.

Neste mundo agitado e dinâmico em que vivemos, somos muito estimulados pela mídia que disturba incessantemente a mente. Os nossos sentidos são muito afetados.

Nas palavras espontâneas do Swami Shidananda que esteve em São Paulo no evento do Yoga pela Paz, me chamou a atenção quando ele disse: "precisamos nos conectar com a "innernet" e não com a internet...". Precisamos nos conectar com o nosso íntimo. Quando nos conectamos com o interno, silenciamos a mente, os sentidos e o prana.

Um exemplo que facilita a compreensão deste conceito é imaginarmos como se fôssemos uma tartaruga quando recolhe as patas, cabeça e o rabo e se volta para dentro do casco.

Pratyahara é se voltar para dentro, de forma que os sentidos não dispersem a atenção.

Pratyahara é o processo de preparação para meditação.

Você está conectado com a mídia ou com o coração?

Namastê!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Respirar


Respirar é estar vivo.
Respirar é estar em contato com o mundo exterior.
Respirar é trocar.
Respirar é a energia que flui de dentro para fora e de fora para dentro.
Respirar é pulsar.
Respirar é estar em movimento.
Respirar nos traz a energia que nos nutre.
Respirar é purificar.
Respirar é sentir a Natureza pelo olfato.
Respirar é nos conectar com o Prana.
Prana é a energia vital que nos matêm vivos.
Prana é o que movimenta a vida.
Prana é a expressão mais pura da Natureza.
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