segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Ria mais.


Crianças riem dezenas de vezes por dia. Elas enxergam o mundo de uma maneira alegre, divertida e engraçada. Seu sorriso é suave e leve.

Rir faz muito bem, diminui a pressão arterial e alivia as tensões. Como aquele velho ditado "rir é um santo remédio".

Quando damos uma boa risada, uma sensação boa toma conta da gente. O peito se abre, o diafragma se move e há uma liberação de energia. Com certeza rir estimula prana, energia vital, para todo o corpo, pois rir é vibrar energia positiva. E o resultado é que todas as células do corpo agradecem e sorriem também.

Há uma palavra em sânscrito, lila, que quer dizer brincadeira. É assim que devemos ver e levar a vida como uma brincadeira, com leveza e alegria.

Procure algo engraçado na sua vida hoje e ria. Ou melhor ainda, procure algo engraçado sobre você mesmo e ria!!!

Namastê.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Faça o que você ama.

Apple e sua bolinha!

A vida parece que anda mais veloz do que nunca. Tudo tão rápido que passamos o dia cumprindo as nossas tarefas e acabamos não tendo tempo de usufruir de pequenos prazeres.

Pequenos prazeres é fazer as coisas que amamos. São aquelas coisas que fazemos com o maior prazer e que não nos cansamos por fazê-las. É um momento para ouvir uma música que gostamos, de cuidar das plantas, de brincar com o cachorro, de preparar uma sobremesa, enfim, cada um tem os seus pequenos prazeres. Se tem algo que amo fazer é brincar de bola com a minha cadela Apple. Me faz tão bem vê-la se divertindo com a sua bolinha!

Esses momentos são preciosos, únicos, e que nos conectam com o momento presente. É dedicar 15 minutos do seu dia simplesmente porque você ama fazer estas coisas. Fazer o que amamos nos traz energia e promove cura. É o melhor antídoto contra o estresse.

Momentos que você faz o que você ama são verdadeiros momentos meditativos. E o resultado é o equilíbrio, é Yoga.

O que você ama fazer?

Bom final de semana!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Tapas + Ahimsa = Yoga


Yoga não é uma ciência exata, porém, esta simples equação é totalmente coerente. Tapas é um dos primeiros preceitos do Yoga que quer dizer auto esforço e disciplina; e Ahimsa é o cultivo da não violência, é respeitar a si e aos outros. Com estes dois ingredientes, agimos sempre de uma maneira sensata, pois o resultado é sempre o equilíbrio.

O Yoga nos ajuda em vários aspectos da vida. Começamos a tomar consciência disso na prática dos asanas. Sem dúvida só se tem resultado quando praticado com uma certa dedicação, quando levamos a sério o trabalho que estamos fazendo. É fazer a sua prática com empenho e esforço; porém, nunca deixando de respeitar seu corpo, fazer dentro dos seus limites. Assim, eu faço a postura com total consciência, na minha perfeição (a perfeição é totalmente pessoal, cada um tem o seu corpo e cada um está em um momento) mas nunca me agredindo e sim me respeitando. Há uma simples frase que já diz tudo: "não sou eu que tenho que me adaptar ao asana e sim o asana é que deve se adaptar a mim" . O resultado é que eu não machuco o meu corpo e só me beneficío do que o Yoga me oferece: um corpo saudável, forte e flexível. Em resumo um corpo equilibrado.

Esta equação pode ser aplicada para tudo na nossa vida. A começar pela nossa alimentação. Por exemplo, para manter o peso e não ter que se violentar privando-se de tudo que é gostoso de comer, a única possível solução é comer de uma maneira equilibrada. As pessoas gastam e se desgastam atrás de dietas mirabolantes procurando maneiras de manter e perder peso e acabam sempre frustadas pois as propostas são sempre difíceis de serem seguidas por muito tempo. Uma simples frase que meu avó médico já dizia há muito tempo: " Coma de tudo um pouco". Assim voltamos a equação do equilíbrio.

Um outro exemplo é na educação dos nosso filhos. Somos nós, pais, que temos que mostrar aos nossos filhos a importância de estudar e de aprender as coisas, mas que para ter bom resultado é preciso um esforço, prestar atenção, fazer as lições, mas sem se violentar para isso. Tem também que ter aquele momento de lazer, de assistir ao seriado na tv, ficar no Facebook, fazer esporte e principalmente ter bons momentos com os pais. Ou seja, é aplicar sempre o estado de Yoga, buscando o equilíbrio.

Na área do trabalho é onde eu, que sou professora de Yoga, vejo o que se consome de energia e desgaste. Todo mundo se queixa de dor no pescoço, nos ombros, nas costas. A grande maioria das pessoas trabalha de uma maneira exacerbada e nem se dá conta disso, achando que é normal. Mas eu acho que definitivamente não é. E falo isso porque já fui executiva e achava que era normal, até que comecei a praticar Yoga e vi que não é. Muitas vezes até era possível sair mais cedo do trabalho, mas não o fazia pois achava que tinha que cumprir o horário até o final, ainda que no dia anterior tivesse saído 10 horas da noite. Hoje eu vejo que temos que fazer o trabalho da melhor forma, claro, mas sem esse exagero que tenta nos consumir e que muitas vezes é totalmente desnecessário. Um pouco de ahimsa, de respeito consigo mesmo, é uma questão de saúde!

E por aí vai, são exemplos do dia dia que se aplicássemos mais esta simples equação seríamos mais felizes e satisfeitos em todas as áreas da vida.

Bom final de semana!

Namastê!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Utthita Trikonasana. Postura do triângulo estendido.

Trikonasa, é uma das minhas posturas favoritas. O que mais gosto é a permanência nesta posição, sentir os pés firmes na terra em perfeito equilíbrio e deixar a energia do coração se expandir por todo o corpo. É uma sensação gostosa sentir todo o seu corpo se alongar e se abrir, mantendo o olhar para o infinito. Praticá-la ao ar livre, num dia de céu azul, torna-a ainda mais especial. Esta postura alonga e dá mais flexibilidade `a coluna, fortalece tornozelos, alonga parte interna das pernas e promove equilíbrio.

Utthita Trikonasana

Vamos construir esta postura passo a passo, para poder desfrutá-la no seu alinhamento perfeito. Comece em Tadasana, postura da montanha, distribuindo o peso do corpo igualmente nas duas pernas. Mantenha os pés unidos e firmes no chão. Alongue a coluna e respire naturalmente...

Tadasana

Afaste as pernas, a distância entre elas é a medida das suas pernas, mantendo os pés alinhados `a frente. Eleve os braços estendidos na altura dos seus ombros, subindo o peito e olhe para frente...



Mantenha o alinhamento da posição anterior, quadris para frente e braços estendidos. Apenas vire o pé direito 90 graus e o pé esquerdo levemente para dentro. As pernas permanecem ativas, com os quadriceps contraídos e patelas para cima...


Agora, na sua próxima inspiração alongue o seu tronco para o lado direito como se você quisesse pegar algo lá longe...


Ao expirar apoie a mão direita no seu tornozelo direito e expanda o seu corpo, alongando o braço esquerdo para o infinito. Os pés permanecem firmes no chão. Os dois ombros e braços devem estar alinhados. A cabeça deve estar na mesma linha da coluna até o coccix e virada para cima, com o pescoço relaxado. Respire naturalmente. Observe o seu corpo na posição.

Utthita Trikonasana

Se você está bastante confortável mantenha todo o alinhamento e apoie a palma da mão direita no chão. O peso do corpo permanece nos pés. Mantenha a posição por 20-30 segundos. Para retornar, faça o mesmo movimento que te levou `a posição. Inspire elevando o tronco ainda com os braços estendidos na altura dos ombros, e ao expirar desça os braços e vire o pé direito novamente para a frente. Repita a postura para o outro lado e ao final volte para Tadasana.

Utthita Trikonasana

Namastê!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Samadhy.

Golfinhos em Fernando de Noronha

Samadhy é o objetivo final do Yoga. Samadhy é o oitavo e último estágio do Yoga de acordo com os Yoga Sutras de Patanjali.

Quando se está em Samadhy entramos num estado que está fora do tempo e do espaço....as flutuações da mente não existem mais...estamos livres dos pensamentos....momento em que o ego se dissolve...entramos em contato com o coração... com a nossa verdadeira natureza... a essência....e aí surge felicidade, liberdade, paz, Samadhy.

É difícil descrever Samadhy, pois é algo inexplicável, espontâneo e único. Mas de qualquer forma, para ilustrar, me arrisco a contar uma experiência pessoal inesquecível em Fernando de Noronha que para mim foi muito especial.

Fernando de Noronha é um dos lugares mais bonitos do mundo onde a natureza está em permanente Samadhy. Para qualquer lugar que se olhe, só se encontra plenitude. O céu azul límpido, sol intenso, árvores abrigando milhares de espécies de pássaros em seu ninhos, praias desertas deslumbrantes de águas transparentes. Tudo isso sem uma rede de hotéis disputando espaço na orla, o que torna o lugar ainda mais sublime. Diria que Fernando de Noronha é um paraíso na Terra.

O mundo fora da água é deslumbrante, para não falar do misterioso mundo que acontece de baixo da água. É neste cenário que a minha experiência aconteceu.

Logo que cheguei, fiquei deslumbrada com tanta beleza da natureza. A primeira coisa que fiz foi sair para uma caminhada para conhecer as tão bonitas praias. Na primeira praia, não resisti aquele convite que o mar já me fazia. Mar com poucas ondas, água na temperatura ideal o que te permite ficar por um bom tempo sem sentir qualquer desconforto. Nadava apenas observando através da água tranparente o gigantesco cardume de sardinhas que dançavam numa sincronia perfeita refletindo sua cor prateada na luz do sol. Enquanto isso, pássaros eram atraídos por este momento e mergulhavam na água em busca das sardinhas. O único ruído que se ouvia era o das asas dos pássaros e seus mergulhos. Viver isso para mim já foi um êxtase.

Depois deste banho de mar maravilhoso, fui caminhado rumo a praia seguinte. Atravessei por um caminho de pedras e novamente me deparei com uma outra praia deslumbrante e completamente deserta. Fui caminhando pela areia quando vi de longe que alguém caminhava na minha direção. Quando nos aproximamos, vi que era um garoto nativo que vendia água numa caixa de isopor. Que sorte a minha pensei, nada como água fresca num dia de sol e calor numa praia deserta. Logo comecei a bater papo com o garoto que me contou que nunca havia saído da ilha. Imagina que vida privilegiada poder viver numa ilha paradisíaca, comendo peixes frescos todos os dias, sem trânsito, sem violência, totalmente integrado com a natureza. Diria que é para poucos!

Naquele momento olhando para o horizonte vejo centenas de golfinhos passando bem longe, quase em alto mar. Todos os dias bem cedo pela manhã os golfinhos passam pela orla e se abrigam numa baia numa ponta da ilha durante o dia. Este lugar é mais protegido de ataque de tubarões e assim os golfinhos filhotes e suas mamães podem ficar seguros e tranquilos durante o dia. Ao entardecer, eles retornam e foi neste momento que os vi passarem. Encantada com aquela cena, o garoto me perguntou: gostaria de ir nadando até os golfinhos? respondi que sim, apesar de não ter muita familiaridade com o mar, pois tenho medo de nadar em alto mar e pavor de tubarões. Ele disse: não tenha medo! se você quiser te levo até eles. Naquele momento a sensação do medo e do desconhecido sumiram e uma força maior me conduziu em direção ao mar. Coloquei nadadeira nos pés, esnorquil e lá fomos nós. O garoto e eu segurávamos a mesma boia salva vidas rumo ao alto mar. Comecei a ouvir um ruído de baixo da água, era o sonar dos golfinhos. Quanto mais para o fundo íamos mais o ruído aumentava. De repente, centenas de golfinhos começaram a aparecer e passar por nós. A água era tão transparente que a visibilidade era total. Eles passavam por nós e apenas olhavam curiosos. Surprendentemente alguns golfinhos começaram a se aproximar com seu filhotes. Parecia que queriam mostrar os filhotes. Neste momento eu ria, chorava de tanta emoção. Foram momentos realmente indescritíveis de total pureza e integração com a natureza. Para mim foi uma experiência de Samadhy. Foi uma tarde que jamais esquecerei.


Praia do Sancho, Fernando de Noronha (por Sylvia Freire)

Uma das praias mais bonitas que conheci!


Morro Dois Irmãos, Fernando de Noronha (por Sylvia Freire)

Cartão postal da ilha.


Namastê.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Sequência revigorante.

Esta é uma sequência revigorante, simples, fácil de memorizar que alonga e fortalece a coluna, pernas, ombros e braços, com uma atenção maior para a torção. Promove a abertura do peito estimulando a energia do coração. Estimula e massageia também os orgãos abdominais, melhorando a digestão e a eliminação. Desenvolve o equilíbrio. Vamos lá!

Balasana

Inicia-se em Balasana, postura da criança. Nesta posição procure estender os braços para frente naturalmente alongando as laterais do corpo. Apoie as mãos bem espalmadas firmes no chão. A distância entre mãos é a mesma dos ombros. Apoie os glúteos nos calcanhares, relaxaxando a cabeça e a musculatura do rosto. Deixe a respiração fluir no ritmo natural. Observe o corpo na posição.

Biladasana

Eleve os quadris e entre na postura do gato, Biladasana. Nesta posição alinhe-se mantendo a distância entre os joelhos a mesma do quadril, e a distância das mãos a mesma dos ombros. Mantenha uma linha reta entre quadril e joelhos, ombros e punhos. Olhe para baixo mantendo a coluna paralela ao chão.

Biladasana

Movimente a coluna para baixo, abrindo o peito e subindo a cabeça na inspiração...

Biladasana

Movimente a coluna para cima, contraindo o abdomem, soltando a cabeça ao expirar.
Faça este movimento quatro vezes sincronizando o movimento com a respiração.

Biladasana

Quando terminar os movimentos volte a posição inicial, checando o seu alinhamento novamente. Agora traga a perna direita a frente apoiando o pé entre as mãos...


Mantenha a mão esquerda e o pé direito firmes no chão. Na próxima inspiração eleve o braço direito e alongue-o em direção ao infinito. A cabeça acompanha o movimento. Procure abrir o peito. Permaneça estável na posição.

Parivrtta Parsvakonasana

Mantenha o alinhamento da postura anterior, apenas estendendo a perna esquerda. Permaneça em Parivrtta Parsvakonasana por alguns instantes. Faça algumas respirações profundas e conscientes observando o corpo na posição.

Corredor

Volte o braço apoiando novamente as mãos no chão. Mantenha o olhar para frente na postura do corredor. Faça algumas respirações mantendo a posição.

Adho Mukha Svanasana

Leve a perna direita alongada para trás e transmute para Adho Mukha Svanasana. Nesta posição alongue todo o seu corpo. Apoie firmemente os pés e mãos no chão. Estenda as pernas e braços. Procure colocar os ísquios para cima, contraia o abdomem e alinhe a cabeça no prolongamento natural da coluna (orelha na linha dos braços). Permaneça na posição por algumas respirações, observando o corpo na posição.

Balasana

Retorne a postura da criança, Balasana. Relaxe o corpo e pratique a auto-observação. Recomece a sequência para o outro lado. Boa prática!

Namastê.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Celebração da Primavera. Meditação na flor de Lótus.

Padma mudrá

Primavera é a estação do ano em que a natureza se renova. É o momento mais feminino, onde shakti desperta e floresce e a natureza parece que expressa Samadhy.

Para celebrar este momento, descrevo uma prática meditativa cujo foco da atenção é a flor de lótus no coração. A flor de lótus representa pureza, renovação, liberdade e paz. Uma meditação muito simples que tenho praticado e que tem me feito muito bem.

Inicie, sentando-se em uma posição totalmente estável e confortável. Como aquietar a mente se há algo no corpo que nos incomoda? É fundamental encontrar a posição correta. Por isso, ajustes são bem vindos. Você pode sentar-se no chão com as pernas cruzadas em Padmasana, postura de lótus. Para maior conforto, sente-se sobre uma almofada, ou com as costas apoiadas na parede, ou mesmo em uma cadeira. O importante é manter o corpo relaxado e a coluna ereta. As mãos podem estar apoiadas sobre os joelhos, com as palmas votadas para cima e dedos indicador e polegar unidos em Jñána mudrá. Outra posição, é apoiar as mãos sobre o colo com o dorso da mão esquerda sobre a palma da mão direita e polegares unidos em Bhaivara mudrá.

Acrescente-se a esta posição dois detalhes: relaxamento das mandíbulas e da língua. A língua deve flutuar na boca com a ponta levemente voltada para cima não encostando no palato. Segundo Christopher Tompkins, estudioso de textos tântricos, o relaxamento das mandíbulas e a posição da língua são descritos em textos como a "Posição Divina".Tenho utilizado esta técnica e percebo que esta descontração nos conduz naturalmente ao aquietamento.

Feche os olhos e observe o seu corpo nesta posição. Observe também a sua respiração, o ar que entra e que sai, no seu ritmo natural.

Agora coloque a sua atenção num ponto no centro do seu peito na altura do seu coração. Este lugar chama-se Hridaya, seu coração espiritual. É um ponto de energia que não ocupa tempo ou espaço, é a sede da consciência.

Agora vizualize uma flor de lótus neste lugar. Concentre-se na flor de lótus que se abre no peito na inspiração e se fecha na expiração. A flor de lótus pulsa no mesmo ritmo da respiração. A respiração pulsa no mesmo ritmo da natureza. A natureza pulsa no mesmo ritmo da vibração do Universo, que pulsa no seu coração. Perceba que um círculo se fecha e que tudo pulsa no mesmo ritmo, você, a natureza e o universo. Tudo integrado. Isto é Yoga.

Mantenha a sua flor de lótus pulsando em Hrydaia por alguns minutos.

Finalize a sua prática transformando as suas mãos em uma flor de lótus em Padma mudrá, resgatando e fortalecendo a sua energia do coração em pureza, renovação, liberdade e paz.

Viva a Primavera!

Namastê.
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