domingo, 3 de abril de 2011

Entre o céu e a terra.


Você já se deu conta de que vivemos entre o céu e a terra? nossa existência se dá entre essas duas realidades.

A terra representa tudo que é material, tangível e corpóreo; é o mundo objetivo que conhecemos através da observação. Este é o mundo que vivemos, cheio de diversidades e que está em constante movimento. Na filosofia do Yoga chamamos de Prakriti este mundo da natureza, mundo este do qual fazemos parte que é repleto de diversidades e em constante mutação.

Há o outro lado, o céu, ou seja, o plano celestial, o plano da alma, que é imaterial, o oposto do mundo físico. Na filosofia do Yoga o termo para isso é Purusha, que pode ser traduzido por alma universal, ou consciência.

No mundo físico, material, nada é perfeito pois tudo está em constante transformação; já no mundo imaterial tudo é perfeito. Natureza é sinônimo de multiplicidade, já consciência é sinônimo de universalidade. A natureza é algo limitado, ela pode ser catalogada, ocupa tempo e espaço; a consciência é ilimitada, onipresente, ela está em toda a parte. Prakriti tem começo, meio e fim; enquanto que Purusha é simplesmente eterna.

A filosofia do Yoga diz respeito a integração de Prakriti e Purusha, onde natureza e alma se misturam. É pela prática dos asanas (posturas), dos Pranayamas (exercícios respiratórios) e da meditação que visamos uma conexão, uma comunhão entre estes dois mundos.

O objetivo do Yoga é explorar esta relação entre Purusha e Prakriti, aprendendo a viver entre o céu e a terra.

Yoga é a união do corpo, da mente e do espírito no momento presente.

Isto é Yoga.

Namastê!

(texto inspirado no livro "Luz na vida", B. K. S. Iyengar)

terça-feira, 29 de março de 2011

Vinyasa. A dança da respiração.

Vinyasa é a respiração e o movimento juntos em total sincronia. No Vinyasa a respiração comanda, é ela quem conduz o movimento. E o resultado é o prana, energia vital, fluindo pelo corpo. O prana flui no ritmo da respiração, que deve ser ampla, profunda, fluida e suave, assim como deve ser o movimento do corpo. É uma dança. Essa dança tem o objetivo de aquietar a mente e nos conectar com a energia e vibração do universo. É uma dança cósmica!

Nesta sequência simples fazemos movimentos de flexão e extensão no ritmo da respiração. Estes movimentos promovem a flexibilidade da coluna vertebral. Alongamos toda a parte posterior do corpo com as flexões, e naturalmente expandimos a caixa toráxica nas extensões.

Trabalhamos o equilíbrio do corpo, mantendo pés, pernas e quadris sempre na mesma posição, firmes e estáveis. As pernas firmes e o quadril estável sustentam o movimento do tronco, braços e cabeça.

Através do Vinyasa nos concentramos mais na respiração, praticando a respiração consciente, que é a respiração completa do Yoga, Prana Krya (procure postagem no blog).

Este Vinyasa é um exercício de concentração, exigindo uma mente atenta, presente. Se a atenção se dispersa nos desconectamos do ritmo da respiração e consequentemente do fluxo de prana. Por isso, a mente deve estar no momento presente.

Quando estiver praticando esta sequência deixe que a Shakti, energia essencial, se manifeste colocando leveza, graça e suavidade nesta dança cósmica, que é única e individual.

Vamos lá!

Comece em Tadasana Samasthithi, postura da montanha, mantendo-se firme e ereto na posição. Os pés devem estar firmes e o peso do corpo distribuído de uma maneira uniforme no chão. Os pés podem estar unidos ou afastados na largura do quadril. O importante é manter os pés paralelos, as pernas bem firmes com as patelas dos joelhos ativas e coxas contraídas. Acione Mula Bhanda (contração dos esfícteres), Uddiyana Bandha (contração do abdome para dentro e para cima), alongue a coluna e abra o peito. As mãos em Anjali Mudrá, posição de prece. Observe o corpo e a respiração. Para mais detalhes sobre o alinhamento desta postura veja Tadasana no blog.

Na sua próxima inspiração, mantenha o alinhamento da postura anterior e eleve os braços lateralmente, unindo as mãos e enchendo o peito de ar em Urdhva Hastasana......

ao expirar faça um movimento de extensão mantendo o quadril estável, abrindo o peito e levando os braços para trás. Este movimento acontece naturalmente sem forçar a sua lombar, concentre-se na abertura do externo....

ao inspirar volte os braços elevados, mantendo aos mãos unidas....

ao expirar desça o tronco e os braços em Uttanasana relaxando a cabeça e os ombros....

na próxima inspiração eleve parcialmente o tronco, alongue a coluna e olhe para frente em Ardha Uttanasana. Se não alcançar o chão com as mãos, segure nos tornozelos.

Ao expirar solte o tronco novamente em Uttanasana....

na próxima inspiração eleve o tronco, eleve os braços lateralmente....

ao expirar desça os braços com as mãos unidas em Anjali Mudrá. Faça uma breve pausa observando o corpo e a respiração. Faça quatro ciclos completos e permaneça nesta posição por alguns instantes procurando a imobilidade do corpo. Aquiete-se.

Namastê!

(Imagem Catherine Ferraz)

domingo, 27 de março de 2011

Posturas de equilíbrio.


Equilíbrio do corpo é estabilidade. Estabilidade é concentração. Concentração é o oposto de dispersão. Se a mente se dispersar, automaticamente perdemos o equilíbrio. As posturas de equilíbrio do Yoga são um treino para aprendermos a manter a mente no momento presente. Assim como este passarinho da imagem acima tem a sua mente no momento presente, ela é naturalmente atenta e tranquila. É assim que devemos nos manter quando estamos em qualquer postura de equilíbrio.

Para se manter em equilíbrio, corpo e mente devem permanecer estáveis. Estabilidade do corpo é estabilidade da mente. Equilíbrio é total estabilidade. Neste estado de equilíbrio o corpo é leve, a mente é calma. Isto é Yoga.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Earth Hour. Hora do Planeta 2011.


Earth Hour é uma ação comunitária mundial, promovida pela WWF, que demostra a preocupação com o aquecimento global, apagando as luzes durante sessenta minutos. Será no sábado, dia 26/03, das 20h30 `as 21h30.

Vamos nos mobilizar apagando as luzes e ascendendo velas, olhar para o céu, enxergar as estrelas e nos conectar com essa energia, com esta intenção de respeitar, preservar e salvar o nosso maravilhoso planeta Terra.

O futuro do planeta depende da consciência de todos nós!

OM!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Virabhadrasana II. Postura do guerreiro.

Virabhadrasana II

Virabhadrasana, postura do guerreiro, é uma postura forte como o próprio nome; sua prática desenvolve firmeza, estabilidade e determinação. É um asana que fortalece pernas, ajuda no alinhamento da coluna, alivia dores na lombar e ajuda no aumento da capacidade pulmonar através da expansão do torax.

A sua permanência é fundamental para se obter os benefícios deste asana. Para estar estável e confortável na posição, característica essencial de asana, é preciso buscar o alinhamento do corpo.

Vamos então alinhar o corpo na posição:
- comece sempre com a área do corpo que está em contato com o chão, nesta postura os pés. Eles devem estar firmes no chão, o peso do corpo bem distribuído nas solas dos pés com as bordas coladas no chão (atenção para manter o dedinho do pé esquerdo sempre no chão);
- flexione o joelho direito mantendo-o alinhado com o tornozelo;
- a perna esquerda deve estar bem estendida com a patela ativa (puxe o joelho para cima);
- encaixe o cóccix e alongue a coluna vertebral. Não deixe que o tronco se mova para frente, ele deve se manter na vertical;
- contraia o abdômen;
- alongue os braços, mãos e dedos na altura dos ombros e mantenha os braços alinhados. Encaixe as escápulas, desça os ombros e abra o peito. Quadris e ombros devem estar alinhados.
- mantenha o olhar no dedo médio da mão direita, e o queixo paralelo ao chão;
- deixe a respiração fluir naturalmente;
- observe o corpo na posição.

Durante a permanência na posição traga a energia da terra para as solas dos pés, suba com esta energia pelas pernas e concentre-a na área do assoalho pélvico, acionando Mula Bandha (contração dos esfícteres). Continue subindo com a energia concentrando-a na região do plexo solar, acionando Uddiyana Bandha (contração do abdome). Suba, ainda, com a energia até o centro do peito na altura do coração e expanda o peito, deixando a energia do coração fluir pelo corpo.

Para desfazer a posição estenda o joelho direito, vire o pé alinhando-o com o pé esquerdo e desça os braços. Faça uma breve pausa e construa a posição para o outro lado.

Namastê!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Ustrasana. Postura do camelo.

Ustrasana

Ustrasana, postura do camelo, é uma postura de extensão do Yoga. Como toda postura de extensão é estimulante e revigorante.

Ustrasana é uma postura que promove flexibilidade da coluna, a abertura da caixa toráxica, aumentando a capacidade pulmonar e ativando a circulação de todos os orgãos do corpo.

O movimento de arco que se forma na coluna para se construir a posição, tonifica e fortalece a musculatura das costas e de toda a coluna.

Ustrasana dá mais mobilidade nas articulações dos ombros e tornozelos, além de alongar os músculos abdominais.

Ustrasana ativa o Anahata Chakra, centro de energia localizado no centro do peito na altura do coração, que é essencialmente a energia do amor e da compaixão. Quando na posição, concentre sua atenção nesta região, abrindo o peito e irradiando para todo o seu corpo essa vibração de amor e de paz .

Como construir a posição:

- comece apoiando os joelhos e o dorso dos pés no chão;

- os joelhos devem estar afastados na largura dos quadris;

- num movimento de inspiração eleve o braço direito pela frente, faça um grande círculo apoiando a mão no calcanhar. Faça o mesmo com o braço esquerdo;

- na construção e durante a permanência na posição procure manter uma linha vertical da crista elíaca até os joelhos, alongando o quadríceps;

- durante a permanência empurre o osso púbico para frente;

- alongue os músculos abdominais;

- gire os ombros para trás, estendendo os braços dos ombros até os pés;

- abra o peito expandindo-o para cima e para os lados;

- não solte completamente a cabeça, mantenha-a como um prolongamento natural da sua coluna;

- respire naturalmente, observando o corpo na posição.

Como desfazer a posição:

- após algumas respirações, desfaça a posição. Sente-se nos calcanhares em Vajrasana. Observe os efeitos da postura.

- para fazer a compensação, flexione o corpo para frente apoiando a cabeça no chão e repouse os braços ao longo do corpo em Balasana (postura da criança).

Namastê!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ahimsa, não violência. Cultura de paz no dia a dia.


Ahimsa quer dizer não violência. Himsa significa agressão, ahimsa, é não causar agressão, violência.

O Yoga tem início na total cultura de paz. O conceito de ahimsa é o alicerce da sua filosofia. A não violência é o meio para se atingir a paz. Só se encontra a paz por meio da paz.

Ahimsa é o primeiro princípio do Yoga, mesmo antes dos asanas (posturas), do pranayama (respiração) e da meditação. Podemos dizer que o Yoga começa com ahimsa, o cultivo da paz, e termina com samadhy, o êxtase da paz.

Ahimsa, não violência, é não ter pensamento, ação ou reação violenta. A não violência com pessoas, com a natureza, não agredindo a vida animal e vegetal. Ahimsa é respeito!

O Yoga nos ensina o caminho para a busca da paz. O objetivo final é desfrutar da totalidade da paz através do aquietamento da mente. Então, como podemos caminhar neste sentido se não tivermos a energia da paz dentro de nós?

A maneira de cultivar a paz é estar no momento presente, cultivando a atenção plena. Quando estamos no momento presente, ação e pensamento estão alinhados em sincronia, e dessa forma, podemos nos observar mais, prestar mais atenção no que fazemos, no que falamos e no que pensamos.

Com atenção no momento presente fica mais fácil cultivar a paz no nosso dia a dia. Comece por respeitar a si próprio. Observe mais o seu corpo e sinta o que ele necessita. Uma vida sedentária pode causar danos para sua saúde, então procure se exercitar, com atividades físicas que te dão prazer. Experimente, por exemplo, caminhada e uma prática suave de Yoga, com certeza irá trazer muitos benefícios e uma melhora na saúde. Se você já é praticante de Yoga é fundamental observar o seu corpo e respeitar os seus limites durante a prática. Nunca ultrapasse os limites, assim, você não irá causar nenhum dano ao seu corpo.

Comece a observar melhor o que você come, não se agrida com alimentos gordurosos e processados. Cultive ahimsa ingerindo alimentos naturais, saudáveis. Lembre-se que comer demais ou pouco também pode ser um ato violento ao seu corpo.

Observe também os seus pensamentos e suas palavras. Nossos pensamentos `as vezes podem ser cruéis e isso é pensamento negativo. O que falamos também têm um grande poder e pode machucar ou prejudicar alguém. Pensamentos negativos e palavras agressivas acabam violentando mais a nós mesmos. Quando não atacamos, quando não pensamos mal de ninguém, nos distanciamos destes sentimentos e automaticamente nos purificamos, entramos na energia da paz. Pensamento positivo é o caminho para a paz.

Observe suas ações e reações, e lembre-se sempre daquele velho ditado "gentileza gera gentileza". Esta é a lei do karma de que toda ação gera uma reação. Trate bem as pessoas `a sua volta, assim como você gostaria de ser tratado. Cultive a paz em pequenos gestos, seja gentil sempre!

Cultive a paz respeitando a natureza. Respeite os animais, eles são seres puros, eles vivem na paz. Os animais são sábios, aprenda a cultivar a paz com eles! Respeite o mundo vegetal maravilhoso das plantas, plante e preserve!

O que mais o mundo precisa hoje para encontrar a paz é cultivar a não violência nas relações humanas e nas relações com a natureza!

Termino este texto com algumas frases inspiradoras de Mahatma Gandhi, um exemplo de homem pacifista da humanidade. Libertou a Índia e mudou o mundo com ahimsa, não violência.

"A humanidade não pode liberar-se da violência mais do que por meio da não violência."

"O que se obtém com violência, somente se pode manter com violência."

"De modo suave você pode sacudir o mundo."

"Não há caminho para a paz, a paz é o caminho."

"O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente."

"Saúde é impossível sem um controle rigoroso da gula."

"Cada dia a natureza produz o suficiente para as nossas necessidades. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fome."

"A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados."

"A não violência absoluta é a ausência absoluta de danos provocados a todo o ser vivo. A não violência, na sua forma ativa, é uma boa disposição para tudo que vive. É o amor na sua perfeição."

Om
Shanti, shanti, shanti!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...